O antigo administrador do Banif Joaquim Marques dos Santos está esta terça-feira a ser ouvido na comissão de inquérito sobre o banco e já declarou perante os deputados ter ficado surpreendido com a resolução, definida em dezembro de 2015.

Questionado pela deputada do PSD Margarida Mano sobre se a resolução do banco o surpreendeu, Marques dos Santos foi direto: "Surpreendeu", disse, sem mais acrescentar.

Antes, o antigo presidente executivo do Banif - que sucedeu ao fundador Horácio Roque, falecido em 2010 - lembrou que o banco procurou entre 2010 e 2011 "no Brasil, Espanha e Reino Unido" capitalizar a instituição.

"Por uma razão ou outra não conseguimos", reconheceu Marques dos Santos.

O Banif viria posteriormente a recorrer à linha da troika disponibilizada durante o programa de ajustamento económico para o setor bancário.

Joaquim Marques dos Santos começou a sua intervenção no parlamento por dizer que, após a sua saída do banco, em 2012, nunca teve "contactos formais" com os órgãos sociais do Banif.

Todas as decisões que tomou enquanto presidente do banco estão "devidamente documentadas e justificadas com todo o seu fundamento", acrescentou, insistindo que, desde 2012, tudo o que sabe do Banif foi o que veio noticiado na comunicação social.

A auditoria forense de 2014 do Banco de Portugal não contou, portanto, com o seu contributo: "Nunca fui ouvido na auditoria, nem nessa nem em nenhuma outra", vincou aos deputados da comissão de inquérito.

As audições na comissão parlamentar de inquérito à resolução do Banif começam hoje: de manhã é ouvido o antigo administrador Marques dos Santos, e de tarde prestará esclarecimentos aos deputados o também antigo administrador Jorge Tomé.

O processo de venda do banco, em dezembro de 2015, domina os trabalhos para se proceder à "avaliação de riscos e alternativas" da decisão, "no interesse dos seus trabalhadores, dos depositantes, dos contribuintes e da estabilidade do sistema financeiro".

Também a avaliação do "comportamento da autoridade de supervisão financeira", o Banco de Portugal, sobre o caso Banif, é um dos objetivos da comissão parlamentar de inquérito sobre a venda do banco.

A comissão também tem já agendadas as próximas audições: na quarta-feira, serão ouvidos Luís Amado, ex-administrador do Banif, e, na quinta-feira, será a vez de António Varela, antigo administrador nomeado pelo Estado (de 2013 a 2014) e administrador do Departamento de Supervisão Prudencial do Banco de Portugal (desde 2014 até março 2016).

Entretanto, o antigo ministro das Finanças do executivo PSD/CDS-PP Vítor Gaspar não prevê vir a Portugal "nos próximos meses", reconheceu hoje o presidente da comissão de inquérito ao Banif, António Filipe.

Gaspar, a residir em Washington, nos Estados Unidos, entrou em contacto com a comissão de inquérito - onde deveria ser ouvido em abril - para "manifestar a sua disponibilidade" para colaborar com os trabalhos, mas lembrando a "limitação" de residir no estrangeiro e não prever vir a Portugal em breve.