O Governo pretende alcançar uma poupança superior a 2.000 milhões de euros com a fusão da Estradas de Portugal e da REFER na Infraestruturas de Portugal, adiantando que a sustentabilidade pode atrair investidores privados.

“A nossa estimativa é de, em dez anos, a partir de hoje, reduzir custos em pelo menos 500 milhões e aumentar as receitas em pelo menos mais 1.500 milhões de euros para que o valor total de poupança para o contribuinte seja superior a 2.000 milhões de euros”, afirmou o secretário de Estado das Infraestruturas, Sérgio Monteiro.

Em declarações aos jornalistas, à margem da cerimónia que assinalou o primeiro dia da empresa Infraestruturas de Portugal, o governante garantiu “um futuro bem diferente para o contribuinte português”.

A par com o compromisso em reduzir a fatura para os contribuintes, Sérgio Monteiro garantiu que não haverá despedimentos na nova empresa liderada por António Ramalho, que contava em dezembro com 3.860 colaboradores.

“Há uma coisa que nós assumimos: não queremos despedimentos. As eventuais saídas, a existirem, serão sempre por acordo de rescisão e não por despedimento, à semelhança do que aconteceu no setor dos transportes, onde saíram mais de 3.000 pessoas e nenhuma foi despedida”, declarou.

Adiantando não ser um objetivo da fusão das gestoras da rede rodoviária e ferroviária, o governante acredita que a sustentabilidade possa atrair investidores privados e assim diversificar as fontes de financiamento da empresa.

Também António Ramalho considerou que o grande desafio da nova empresa é "libertar definitivamente o contribuinte português do dividendo negativo", realçando que a fusão das duas empresas aconteceu "sobretudo para benefício dos clientes".

"Não é aceitável que a maior empresa dependa do Estado. O grande desafio que se coloca é criar uma sustentação eficaz na gestão dos ciclos de investimentos com as nossas receitas. Queremos libertar definitivamente o contribuinte português do dividendo negativo das infraestruturas", declarou António Ramalho.

A Infraestruturas de Portugal vai ter cerca de 4.000 trabalhadores e vai gerir 13.515 quilómetros de rodovia e 2.794 quilómetros de ferrovia.

A fusão entre a Refer e a Estradas de Portugal estava prevista no Plano Estratégico dos Transportes e Infraestruturas (PETI3+) e foi aprovada em Conselho de Ministros a 09 de abril.