O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, classificou como «verdadeiramente positiva» a redução do desemprego, divulgada esta quinta-feira, dando razão ao líder do PS, António Costa, quando este diz que o país está a dar a volta. Mas reforçou: «Portugal já teve o desemprego em 17,7%, o que era uma fratura social muito perigosa, estar agora em 13,3% significa que temos de fazer muito mais, mas a tendência e a trajetória é muito positiva e é nesse sentido que dou razão ao Dr. António Costa».

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou hoje que a taxa de desemprego foi de 13,3% em janeiro, menos 0,3 pontos percentuais (p.p.) do que em dezembro de 2014 e menos 1,7 pontos face ao período homólogo.

«O desemprego desce tanto nos jovens como na população mais adulta. Isto é um sinal de que o país obviamente está a dar a volta. Às vezes pelo menos o que o Dr. António Costa diz é razoável, nós estamos de facto a conseguir dar a volta como país, a conseguir vencer uma crise que foi muito difícil por causa do resgate», disse Paulo Portas, após uma visita à Feira Internacional de Turismo, que decorre em Lisboa.


Paulo Portas referia-se à intervenção de António Costa aquando das comemorações do novo ano chinês, na semana passada, no Casino da Póvoa de Varzim: «Como nós dizemos em Portugal, os amigos são para as ocasiões. E, numa ocasião difícil para o país, em que muitos não acreditaram que o país tinha condições para enfrentar e vencer a crise, a verdade é que os chineses, os investidores, disseram presente, vieram e deram um grande contributo para que Portugal pudesse estar hoje na situação em que está, bastante diferente daquela que estava há quatro anos atrás».

A intervenção em causa motivou o pedido de demissão do fundador do partido Alfredo Barroso e a troca de galhardetes entre políticos. O próprio António Costa já afirmou estar perplexo com as interpretações sobre o seu discurso, defendendo que no exercício de funções institucionais junto de investidores estrangeiros tem de transmitir-se uma mensagem de confiança.

Hoje, Paulo Portas voltou a tocar no assunto a propósito dos números do desemprego, que considera como «especialmente significativos», até porque surgem em janeiro que, «tradicionalmente, não é muito positivo para o emprego», pois é um mês em que «as empresas retomam, uma espécie de início de atividade face ao fecho do ano».

«Estes números acontecem em janeiro, são bons porque se criaram 21 mil postos de trabalho em um mês, são bons porque há redução de 1,7 p.p. face à situação de há um ano», disse.

O INE revelou também hoje que cerca de 683,2 mil pessoas estavam desempregadas em janeiro, menos 10,5 mil (ou menos 1,5%) do que em dezembro do ano passado.

Sobre o crescimento económico de 0,9% em 2014, valor hoje também confirmado pelo INE, Paulo Portas disse apenas já estar em 2015, prevendo que o crescimento será "superior a 1,5%", este ano.

Quanto ao relatório da Comissão Europeia sobre Portugal, realizado em novembro no âmbito do calendário do Semestre Europeu, e que coloca Portugal sob «monitorização específica» por desequilíbrios económicos excessivos, criticando a estratégia de consolidação orçamental seguida, o governante não fez quaisquer comentários até porque, justificou, os dados em que o mesmo se baseou são de 2013.

Paulo Portas deu ainda «parabéns muito reforçados» ao setor do turismo «pelo contributo que deu nos anos mais difíceis para Portugal» e reforçou que o aumento de 11% das dormidas em 2014 e de 13% da rentabilidade «é um resultado espetacular».

«Ultrapassámos pela primeira vez os 16 milhões de visitas e 46 milhões de dormidas [em 2014]. Com o crescimento do turismo, as exportações portuguesas cresceram de uma forma bastante mais positiva do que alguns previam em 2014. É a segunda vez que Portugal consegue ter a balança comercial positiva em muitas décadas», cita à Lusa.