As filiais de empresas estrangeiras em Portugal têm maiores taxas de sobrevivência do que as sociedades nacionais e mais de 80% são controladas por entidades europeias, com destaque para Espanha e Alemanha, segundo dados divulgados pelo INE.

De acordo com as Estatísticas da Globalização 2008-2012 do Instituto Nacional de Estatística, mais de 85% das filiais estrangeiras nascidas em Portugal em 2008 ainda existiam em 2012, enquanto nas sociedades nacionais esta taxa era de apenas 58,4%.

No que diz respeito à autonomia financeira e à liquidez geral, as filiais estrangeiras apresentaram também valores ligeiramente superiores às sociedades nacionais, tendo também mostrado «resistir melhor a um ano difícil para as sociedades não financeiras», apresentando rendibilidades positivas.

Relativamente à origem das empresas, verifica-se que a grande maioria (80,6% das sociedades e 78,5% do Valor Acrescentado Bruto) eram controladas por entidades residentes num dos países do continente europeu, com Espanha a liderar a origem do controlo do capital (26,2% das filiais).

Contudo, o INE nota que foram as filiais de empresas alemãs que mais aumentaram o peso no VAB gerado pelas filiais estrangeiras entre 2008 e 2012, passando de 15% para 17,7%, o que fez da Alemanha o país de origem do controlo do capital economicamente mais relevante.

Globalmente, em 2012 as filiais de empresas estrangeiras em Portugal tinham apenas um peso de 1,4% no número de sociedades não financeiras, mas representavam uma parte significativa do volume de negócios e do VAB das sociedades (21,8% e 19,9%, respetivamente).

Segundo o INE, as filiais de empresas estrangeiras empregavam em média 66,5 pessoas por empresa, face a apenas 6,8 pessoas nas sociedades nacionais, sendo que mais de 6% eram de grande dimensão, empregavam dois terços do pessoal ao serviço total das filiais estrangeiras e eram responsáveis por 63,8% do seu volume de negócios e 61,6% do VAB.

A maior parte das filiais estrangeiras (52,2% do número de sociedades e 79,4% do volume de negócios) atuava nos setores do comércio (em 2012 estas sociedades foram responsáveis por 28,2% do VAB e 14,6% do pessoal ao serviço) ou da indústria e energia.

O INE avança ainda que as filiais estrangeiras registam uma menor taxa de investimento do que as sociedades nacionais, embora, por empresa, o investimento líquido tenha sido 14 vezes superior nas filiais estrangeiras do que nas nacionais.

Quanto ao investimento em investigação e desenvolvimento (em percentagem do VAB) foi menos de metade nas filiais estrangeiras do que nas empresas nacionais (0,4% e 0,9%, respetivamente), mas o investimento em I&D por sociedade foi sete vezes superior nas filiais estrangeiras.

Em 2012 observou-se também uma maior proporção de sociedades de elevado crescimento (SEC) entre as filiais de empresas estrangeiras, embora com menor peso no VAB: 3,9% das estrangeiras contra apenas 2,5% das portuguesas eram SEC, mas nas sociedades nacionais as SEC geraram 4,5% do VAB, contra 3,5% nas filiais.

Da análise do INE resulta ainda um perfil mais exportador das filiais estrangeiras, sendo que as filiais com centro de decisão num dos países extra-União Europeia apresentaram um perfil exportador ¿ainda mais vincado, com mais de metade do pessoal ao serviço e do VAB desta sociedades a pertencerem a empresas de cariz exportador.

Analisando o período 2008-2012, observa-se um decréscimo generalizado em todas as sociedades não financeiras, sejam filiais estrangeiras ou empresas nacionais, embora mais acentuada no decréscimo do número de sociedades e menos acentuada quanto ao pessoal ao serviço e VAB.