A hotelaria em Portugal registou no primeiro trimestre um aumento de 14,9% nos hóspedes e de 16,0% nas dormidas, para 3,2 e 8,3 milhões, respetivamente, beneficiando do impulso da Páscoa, que se assinalou em março, divulgou o INE esta segunda-feira.

Considerando apenas o mês de março, o Instituto Nacional de Estatística (INE) reporta uma subida de 18,8% nos hóspedes, para 1,4 milhões, e de 20,3% nas dormidas, para 3,7 milhões.

Esta evolução superou a do mês anterior (+14,9% e +15,5%) e está em parte associada a um efeito de calendário, já que a Páscoa este ano se celebrou em março e em 2015 em abril”, refere.

Para o aumento das dormidas em março concorreram tanto o mercado interno (+18,5%), como os externos (+21,0%), tendo-se a estada média situado nas 2,7 noites (+1,2%) e a taxa de ocupação cama nos 41,1% (+5,9 pontos percentuais [p.p.]). No período acumulado de janeiro a março a taxa de ocupação foi de 33,5% (+3,6 p.p.). 

Em março, os proveitos aumentaram (+22,5% nos proveitos totais e +25,6% nos de aposento) e aceleraram face ao mês anterior (+21,5% e +21,4%), somando um total de 170,6 milhões de euros e de 118,7 milhões no caso dos de aposento. O trimestre terminou com aumentos de 19,7% e 21,5% para os proveitos totais e de aposento, respetivamente.

Segundo o INE, em março, as dormidas em hotéis aumentaram 21,9% e corresponderam a 69,0% do total, tendo todas as categorias apresentado “evoluções significativas, principalmente as unidades de quatro estrelas (+24,2%), que representaram quase metade das dormidas desta tipologia (48,7%)”.

No período, quer as dormidas de residentes, quer as de não residentes “aumentaram expressivamente”, com o mercado interno a gerar 1,1 milhões de dormidas (+18,5%) e a acelerar face aos últimos meses (+11,6% em fevereiro e +9,1% em janeiro). Já as dormidas dos mercados externos (2,6 milhões) representaram 70,7% do total e aumentaram 21,0% (+17,3% em fevereiro), tendo o crescimento em março apenas sido superado pelo de abril de 2014 (+22,7%), que teve o mesmo efeito de calendário de Páscoa. 

No acumulado de janeiro a março, as dormidas de residentes aumentaram 13,6% e as de não residentes 17,1%.

Num contexto em que todos os 12 principais mercados emissores de turistas para Portugal aumentaram “ligeiramente” a sua representatividade (81,4%, face a 80,9% em março de 2015), destacou-se a “evolução fortemente positiva” do mercado espanhol que, “como é habitual no período da Páscoa”, aumentou as dormidas em 77% e viu a respetiva quota (14,4%) superar “largamente” a do mês homólogo de 2015 (9,8%). Também o mercado britânico (20,2% das dormidas de não residentes) apresentou um “acréscimo significativo” (+19,7%), enquanto a Alemanha cresceu 13,0% e viu o seu peso reduzir-se de 18,8% em março de 2015 para 17,6% em março de 2016. França e Países Baixos apresentaram acréscimos de 4,4% e 1,7%, desacelerando face aos meses anteriores e com quotas de 6,6% e 5,7%, respetivamente, enquanto a Irlanda, a Bélgica e EUA registaram “aumentos expressivos” (+56,0%, +28,5% e +20,1%) e o Brasil manteve a tendência decrescente (-0,3%).

Em março todas as regiões evidenciaram “aumentos significativos” das dormidas, com destaque para os Açores (+55,6%, em linha com os últimos meses), sendo ainda “de assinalar” os acréscimos do Algarve (+28,2%), do Norte (+25,3%) e do Alentejo (+21,8%). As principais regiões de destino foram o Algarve (28,4% das dormidas totais) e Lisboa (27,5%).

As dormidas de residentes aumentaram “expressivamente” nas regiões autónomas (+51,6% nos Açores e +43,1% na Madeira), no Alentejo (+27,3%), Algarve (+18,4%) e Norte (+18,2%), enquanto nas dormidas de não residentes os Açores mantiveram o maior aumento (+60,9%), seguido pelo Norte (+32,9%), Algarve (+30,7%) e Centro (+27,9%). Algarve, Lisboa e Madeira foram as regiões com maior procura por parte de hóspedes vindos do estrangeiro (respetivamente 32,8%, 29,4% e 20,1% das dormidas).

Em março, o rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) aumentou “significativamente” (22,1%), fixando-se em 29,6 euros, com Lisboa e a Madeira a registarem os valores mais elevados (47,7 e 44,3 euros).

À semelhança do mês anterior, os estabelecimentos com maior rentabilidade média por quarto disponível foram os hotéis de cinco estrelas (60 euros) e as pousadas (48 euros), a que corresponderam acréscimos de 27,1% e 54,9%.