O défice orçamental em contabilidade nacional, a que conta para Bruxelas, terá chegado a cerca de 7,1% do Produto Interno Bruto nos primeiros seis meses do ano, estima a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO).

Numa nota sobre a execução orçamental entre janeiro e junho (em contabilidade pública), a que a Lusa teve acesso, os técnicos independentes que dão apoio à comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública, estimam que o défice em contabilidade nacional para os primeiros seis meses do ano esteja entre os 6,6% e os 7,6% do Produto Interno Bruto (PIB). O valor central da estimativa é assim de 7,1%.

O INE ainda não divulgou o valor do défice das administrações públicas nos primeiros três meses do ano.

Sem a injeção de capital do Banif, que foi incorporada no défice do primeiro trimestre do ano, o valor central da estimativa da UTAO ainda seria de 6,2% do PIB.

O valor final de défice que Portugal se comprometeu com a troika a não ultrapassar é de 5,5% para o total do ano.

Sobre esta meta, a UTAO diz que «ainda não é possível retirar conclusões sobre o cumprimento do limite de 5,5% do PIB definido para o conjunto do ano».

A UTAO explica que se o défice na segunda metade do ano fosse semelhante ao que estimam para os primeiros seis meses do ano (sem o Banif), o valor do défice ficaria perto do limite acordado com a troika, mas na segunda metade do ano «existem fatores adicionais que influenciarão o défice», como é o caso do pagamento dos subsídios de férias em novembro.

Para a segunda metade do ano estavam ainda previstas medidas no âmbito da reforma do Estado, que ainda estão por concretizar, o que para UTAO explica a indefinição acrescida em relação ao cumprimento do limite.