O índice de custo do trabalho aumentou 0,3% no 2.º trimestre face ao mesmo período de 2012, interrompendo os decréscimos quase sucessivos registados desde o início de 2010, divulgou esta quarta-feira o INE.

No trimestre anterior, a variação homóloga do índice de custo do trabalho (ICT) corrigido dos dias úteis ¿ um indicador de curto prazo que mede a evolução dos custos do trabalho por hora efetivamente trabalhada suportados pelo empregador (incluindo os custos salariais e outros custos do trabalho a cargo da entidade patronal) - tinha sido negativa em 1,9%.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), de abril a junho os custos salariais diminuíram 0,1% face ao mesmo período do ano anterior, enquanto os outros custos aumentaram 1,8%.

«Em ambos os casos ¿ nota o INE - verifica-se, em geral, a tendência descrita para o índice global nos últimos anos».

De acordo com o instituto, a variação homóloga do ICT também resultou do efeito conjugado do acréscimo dos custos médios do trabalho (3,2%) e do acréscimo, um pouco menor, do número de horas efetivamente trabalhadas (3,0%).

«Nos últimos anos tem-se assistido a uma desaceleração dos custos médios do trabalho, a qual deu lugar a decréscimos sucessivos desde o 3.º trimestre de 2010 até ao 4.º trimestre de 2012», refere.

Contudo, continua, «no 1.º e no 2.º trimestres de 2013 os custos médios do trabalho aumentaram, em parte devido ao pagamento de subsídios de férias e de Natal (em regime de duodécimos ou de uma vez só) e ao pagamento de prémios de caráter irregular (como, por exemplo, prémios de fim do ano e distribuição de lucros)».

Já o número de horas efetivamente trabalhadas teve, pelo contrário, «um comportamento mais irregular» no período, registando «crescimentos substanciais» no 1.º e no 2.º trimestres deste ano.

Numa análise por setores de atividade económica, o INE aponta o acréscimo homólogo do ICT, na ordem dos 1,7%, no subgrupo de atividades económicas pertencentes ao setor privado da economia.

No caso da indústria, o aumento do ICT foi de 1,0%, na construção foi de 4,7% e nos serviços foi de 1,5%.

Já no subgrupo composto pelas restantes atividades económicas, que incluem maioritariamente (mas não exclusivamente) as atividades do setor público da economia, verificou-se um decréscimo homólogo do ICT de 1,7%.

Na União Europeia (UE) a 27, e tendo em conta as variações homólogas do ICT por país referentes ao 1.º trimestre de 2013 (o último disponível), a variação homóloga do ICT foi de 1,9%.

Acima da média da UE situaram-se 16 países, com destaque para a Roménia (cuja variação homóloga de 8,6% do ICT superou em quatro vezes a registada na UE).

Em sentido inverso, foram cinco os países com acréscimos homólogos inferiores aos da UE, cujas evoluções se situaram entre 0,1% (França) e 1,6% (Reino Unido).

Com decréscimos homólogos do ICT surgem, por sua vez, quatro países, cujas evoluções se situaram entre menos 3,8% (Eslovénia) e menos 0,3% (Portugal).

Analisando a evolução da variação homóloga do ICT em Portugal e na UE, desde o 1.º trimestre de 2009 até ao 1.º trimestre de 2013, o INE conclui que o ICT em Portugal «registou variações homólogas globalmente abaixo das observadas para a média da União a 27 desde o 1.º trimestre de 2010, caracterizando-se por decréscimos sucessivos desde o início de 2011».