O índice de bem-estar para Portugal reduziu-se a partir de 2012, penalizado pelos indicadores do 'trabalho e remuneração' e 'vulnerabilidade económica', enquanto a 'educação', ‘saúde’ e ‘ambiente’ registaram a evolução mais favorável, divulgou hoje o INE, escreve a Lusa.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE) – que, pelo segundo ano consecutivo, apresentou os principais resultados do estudo «Índice de Bem-estar para Portugal» (IBE), correspondente ao período de 2004 a 2013 e baseado na metodologia definida por um conjunto de organizações internacionais – este indicador apresentou uma redução em 2012 que se projetou para 2013.

No período analisado, os dois índices sintéticos 'condições materiais de vida' e 'qualidade de vida' evoluíram em sentidos opostos, com o primeiro a evidenciar uma tendência decrescente, que se acentuou de 2010 para 2013, e o segundo a apresentar uma tendência crescente, embora «bastante atenuada» após 2011.

De acordo com o INE, dos 10 domínios que integram o IBE, a 'educação', a 'saúde' e o 'ambiente' foram as componentes com evolução mais favorável no período analisado.

Inversamente, os domínios 'trabalho e remuneração' e 'vulnerabilidade' económica foram aqueles cuja evolução foi mais desfavorável.

Os dados apontam que, entre 2004 e 2012, a taxa de variação média anual do IBE foi de 0,9%, sendo que os dados preliminares relativos a 2013 projetam um «pequeno decréscimo» do índice, que vinha já a manifestar-se desde 2012 em resultado da quebra das 'condições materiais de vida'.

De 2004 a 2011, o índice de bem-estar em Portugal evoluiu positivamente, atingindo o valor de 108,6 em 2011. Em 2012 reduziu-se para 107,5, estimando-se uma redução para 107,2 em 2013.

Contudo, nota o INE, as duas perspetivas de análise do bem-estar – traduzidas através das 'condições materiais de vida' e de 'qualidade de vida' – evoluíram em sentidos opostos: se as primeiras registaram genericamente uma evolução negativa, atingindo o valor de 85,4 em 2012 (na comparação com o ano-base de 2004 = 100), a segunda apresentou uma evolução continuamente positiva, atingindo em 2012 o valor de 117,0.

Este contraste é reforçado pelos dados preliminares de 2013, ano em que o índice relativo às 'condições materiais de vida' teve novo agravamento, com uma desvalorização de 17 pontos percentuais entre 2004 e 2013.

«Dada a forte associação existente entre muitas das variáveis que compõem este indicador sintético e o funcionamento do sistema económico, a sua evolução reflete o baixo crescimento da economia no período pré-crise e é particularmente sensível aos efeitos do aprofundamento da crise económica», refere o INE.

Globalmente, da análise dos períodos 2004-2008 e 2008-2013 o INE destaca os domínios da 'saúde', 'balanço vida-trabalho', 'educação, conhecimento e competências', 'segurança pessoal' e 'ambiente' pelas taxas de variação média anual positivas registadas.

Salienta ainda os domínios 'vulnerabilidade económica', 'trabalho e remuneração' e 'participação cívica e governação', nos quais as taxas de variação média anual foram negativas, e o domínio do 'bem-estar económico', cuja taxa de variação média anual passou de positiva para negativa entre o primeiro e o segundo períodos considerados.

O instituto aponta também o domínio das 'relações sociais e bem-estar subjetivo', para o qual a taxa de variação média anual passou de negativa para positiva entre o primeiro e o segundo períodos.

Relativamente à 'segurança pessoal', o INE nota que a diminuição da taxa de homicídio voluntário consumado contrasta com o agravamento do número de crianças e jovens vítimas de crime, referindo ainda ter-se verificado em 2012 um “incremento significativo” do grau de confiança da população na polícia.