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Quase 40% das famílias estão endividadas

Inquérito realizado em 2010 revela que 25% dos português têm a casa hipotecada

Por: Redacção / JF    |   2012-05-25 12:14

Quase 40% das famílias portuguesas estão endividadas e 25% têm hipotecas sobre a casa, revela o Inquérito à Situação Financeira das Famílias (ISFF) realizado em 2010 pelo Banco de Portugal e Instituto Nacional de Estatística.

Segundo as conclusões do trabalho - inserido no projeto europeu «Household Finance and Consumption Survey», destinado a caraterizar a situação financeira das famílias da área do euro - 13% das famílias endividadas têm encargos com a dívida superiores a 40% do seu rendimento.

De acordo com o ISFF, a riqueza líquida média dos 10 por cento de famílias com maior rendimento (511 mil euros) é sete vezes superior à riqueza líquida dos 20 por cento com menor rendimento (69,7 mil euros).

Do inquérito resulta também a «preponderância dos ativos reais no total dos ativos das famílias (88%), em detrimento dos ativos financeiros» (que se ficam pelos 12%).

Mais de metade do valor dos ativos reais resulta do valor da residência principal, enquanto as contas de depósitos a prazo são os ativos financeiros com maior peso para as famílias, representando quase 60% da riqueza financeira, seguidos dos depósitos à ordem e de ações/fundos/títulos de dívida, ambos com 13%, e dos planos voluntários de pensões, com 10%.

De acordo com as conclusões do inquérito, para o conjunto das famílias endividadas o rácio médio entre o serviço da dívida e o rendimento monetário mensal é de 16%, mas em 13% dos casos este rácio é superior a 40%, valor geralmente considerado como «crítico».

Segundo notam o Instituto Nacional de Estatística (INE) e o Banco de Portugal (BdP), este rácio é decrescente com o nível de rendimento, pelo que é particularmente elevado nas famílias endividadas da classe de rendimento mais baixa, onde ultrapassa «claramente» os 40%.

Relativamente à distribuição da riqueza líquida média das famílias residentes em Portugal, é «ligeiramente superior» a 150 mil euros, sendo a riqueza líquida mediana cerca de metade, o que traduz uma «forte assimetria» na distribuição da riqueza.

No que respeita à dívida e endividamento, o ISFF 2010 conclui que a dívida hipotecária associada à residência principal «tem um peso dominante na dívida das famílias», na ordem dos 80%, seguindo-se a dívida associada a hipotecas de outros imóveis, com um peso de 12%.

O estudo aponta como estando endividadas quase 40% das famílias, sendo o valor mediano da dívida de 31,7 mil euros.

Cerca de 25% das famílias têm hipotecas sobre a sua residência principal e três por cento sobre outros imóveis, enquanto 13% das famílias endividadas têm empréstimos não garantidos e cerca de 8% tem dívidas associadas a cartões de crédito, linhas de crédito ou descobertos bancários.

A este propósito, o INE e o BdP notam que a percentagem de famílias endividadas «aumenta com o rendimento para a generalidade dos tipos de dívida», exceto no caso dos empréstimos não garantidos por imóveis, para os quais a maior proporção de famílias com dívida ocorre nas classes intermédias de rendimento.

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