O Governo anunciou que os 80 postos de trabalho da fábrica de calçado destruída em Castelo de Paiva, pelo incêndio de 15 de outubro vão integrar um novo investimento privado, com incentivos do Estado.

Encontrámos rapidamente um empresário com vontade de investir aqui em Castelo de Paiva, que considera que os recursos humanos são qualificados e importantes para o futuro da sua própria empresa e que assim se comprometeu, com os novos sistemas de incentivos à reposição à atividade económica e atração de novo investimento".

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, falava aos jornalistas após uma sessão pública em que participou, à qual assistiram dezenas de ex-trabalhadores da empresa de calçado OQ, destruída pelo incêndio que consumiu mais de 60% do território do concelho de Castelo de Paiva, no norte do distrito de Aveiro.

Pedro Marques sublinhou hoje que o novo investidor Reinaldo Teixeira, um empresário de Felgueiras do setor do calçado, que lidera o grupo Carité, vai recorrer ao incentivo criado pelo Governo após os incêndios, que prevê uma dotação global de 100 milhões de euros para a reposição da atividade, nos territórios mais atingidos.

O empresário de Felgueiras poderá ainda aceder ao incentivo à atratividade económica, também no valor global de 100 milhões de euros, que hoje foi apresentado em Castelo de Paiva pelo secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, Nelson Sousa, igualmente destinado aos concelhos afetados pelos incêndios de outubro e do Pinhal Interior.

No caso concreto de Castelo de Paiva, o ministro assinalou que investimento naquele concelho é "um fator crítico para que os empresários e para que as pessoas compreendam" que o Governo não deixará "faltar nada para a reconstrução destes territórios", mas lembrou que, para tal acontecer, é também necessária "a vontade e a alma dos territórios".

"Foi aquilo que encontrámos aqui em Castelo de Paiva", disse, elogiando o empenho do presidente da câmara, Gonçalo Rocha, no processo negocial que conduziu à solução hoje anunciada para a empresa.

Afirmando-se satisfeito por, ao fim de um mês, a situação dos trabalhadores da OQ que perderam os seus empregos ter ficado resolvida, o ministro sublinhou pretender "muito mais" para os territórios afetados pelos fogos de outubro.

Nós temos que diferenciar positivamente os territórios do interior e, em particular, os mais afetados pelos incêndios, que têm que ser apoiados na captação de novo investimento e o Governo não deixará cair estes territórios".

No final, Pedro Marques reafirmou aos jornalistas o compromisso do Governo para a conclusão da variante à EN222, obra reclamada pela câmara há mais de duas décadas e que permitirá ligar o concelho à rede de autoestradas e ao litoral. O governante disse que os projetos estão a ser elaborados e que a obra avançará a seguir, conforme já tinha garantido ao presidente da câmara.