Vinte milhões de euros: 20.000.000 euros. Duas semanas depois, chega agora a contabilização dos prejuízos agrícolas do incêndio em Pedrógão Grande, uma tragédia que matou 64 pessoas e feriu cerca de duas centenas, para além dos avultados danos materiais e na floresta. 

O balanço foi feito no Parlamento pelo ministro da Agricultura, Capoulas Santos.

Neste momento, o ministério da Agricultura já tem quantificados todos os prejuízos [agrícolas] naquela região de Pedrógão Grande. Esses prejuízos ascendem a cerca de 20 milhões de euros e encontraremos seguramente, teremos seguramente, capacidade financeira para lhe dar resposta, assim como reforçar as equipas de sapadores este ano"

O Governo já tinha dado a indicação de que a contabilização seria anunciada esta sexta-feira. Perto do meio-dia, o ministro estava ainda a ser interpelado pelos deputados, não tendo até essa altura detalhado os prejuízos em causa.

Câmara de Pedrógão tem mais números que chegam aos 250 milhões

Sabe-se já, porém, que 500 casas ficaram destruídas e que 40 empresas foram também consumidas pelas chamas. Ontem, o executivo socialista garantiu que ninguém ficará sem apoio.

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande estimou já depois das declarações do ministro, que os prejuízos alcancem bem mais: "pelo menos 250 milhões de euros", disse à Lusa Valdemar Alves.

Em Castanheira de Pera, foram identificadas até ao momento 127 habitações, anexos e barracões afetados pelo incêndio e em termos de empresasm, 60 postos de trabalho foram atingidos, segundo a autarquia. 

Prejuízos florestais ainda por contabilizar

Os prejuízos no domínio florestal estão ainda em "fase de apuramento", adiantou depois, aos jornalistas, o ministro.

No caso da agricultura, esotu a referir-me concretamente a animais que morreram, instalações pecuárias que foram destruídas, plantações permanentes (como vinhas, pomares, olivais), destruição de equipamentos agrícolas (tratores, reboques, alfaias e outras máquinas".

Capoulas Santos indicou, sem precisar a data, que vai ser aberto um período de candidaturas para que os agricultores conseguirem apoios. Tudo para que, depois, "em função dos comprovativos de despesa, se possa proceder aos pagamentos que, nos termos da lei nacional e comunitária, variam entre 50 e 80% da totalidade dos prejuízos".

Quando estava ainda a responder aos deputados, e a propósito do Programa de Desenvolvimento Rural, o governante deixou uma garantia ao Parlamento:

Não vamos retirar um cêntimo às verbas alocadas à floresta, que são 506 milhões de euros"

Ao mesmo tempo, voltou a defender um "pacto de regime" sobre a floresta, assegurando que o Governo tem feito o seu trabalho de casa há 10 meses. Desde agosto de 2016, aprovou 12 diplomas, sendo que vários carecem ainda de viabilização na Assembleia da República.

Na semana passada, o primeiro-ministro pressionou o Parlamento para aprovar essas medidas que ainda estão na gaveta. 

Entretanto, e fazendo ainda um ponto da situação, a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, anunciou o reforço de 750 operacionais para as zonas críticas dos incêndios que fustigaram o Centro do país.

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