O ministro da Economia espera que o Governo «encontre o espaço necessário» para dar um sinal de «moderação das taxas de IRS» no Orçamento do Estado para 2015. Para António Pires de Lima, a atual carga de impostos sobre o rendimento só se percebe enquanto situação «transitória» e necessária «num momento de aperto» como o que Portugal tem vivido. O ministro da Economia sugeriu que o Conselho de Ministros discuta uma redução da carga fiscal «com espírito de abertura» e «realismo», considerando que essa diminuição não pode ser assumida sem esse debate.

«Este debate existe e faz sentido que seja feito em Conselho de Ministros e ninguém pode, em consciência, assumir uma redução fiscal antes de este debate estar feito em Conselho de Ministros. Eu não a assumo, o que digo é que seria desejável», afirmou Pires de Lima, citado pela Lusa.

Num debate na «escola de quadros» do CDS-PP, em Peniche, em que também participou o secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, Pires de Lima sugeriu que os membros do Governo partam para «a discussão com espirito de abertura», olhando «para os números com realismo», para «a margem» para uma baixa de impostos.

«Nós temos que reduzir o défice de 4% para menos de 3%. Neste momento, o nosso compromisso é de 2,5%», lembrou. Antes, Pires de Lima sublinhando que o défice e a dívida impediram Portugal de subir mais lugares no «ranking» da competitividade (Portugal subiu 15 lugares, situando-se no 36º lugar).

Ainda sobre impostos, o ministro da Economia disse recusar encarar «este debate como um debate entre o CDS e o PSD». «Recuso-me. O PSD, por muitas vozes, tem manifestado também um desejo, uma intenção, que esta redução fiscal do IRS possa iniciar-se o mais cedo possível. Portanto, não sou capaz de partidarizar este debate», declarou.

O ministro da Economia afirmou que em Portugal, mesmo as pessoas «que vivem do seu trabalho, com rendimentos discretos e medianos, pagam impostos sobre o seu trabalho que só são entendíveis como uma carga fiscal transitória e num momento de aperto».

Questionado à entrada para a sessão acerca de mudanças na administração do Novo Banco, noticiadas pelo «Expresso», Pires de Lima não quis comentar.