O líder do CDS-PP e vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, comprometeu-se esta sexta-feira a defender a «moderação fiscal», alegando que o Estado tem de cortar na despesa, em vez de aumentar impostos.

«Nós acreditamos na moderação fiscal, que não se pode fazer de um dia para o outro toda, certamente fase a fase, com a prudência orçamental numa mão, mas sabendo que a carga fiscal é muito elevada e que é o Estado que tem de conter a sua despesa, não são as pessoas que têm de entregar mais ao Estado», frisou, nas comemorações do 40º aniversário do CDS, em Angra do Heroísmo, nos Açores.

De acordo com o líder centrista, nos anos do memorando com a troika houve «aumentos de impostos excecionais», mas «o país começa a ter um pouco de crescimento económico» e as empresas têm mais confiança, por isso é preciso deixar que a sociedade «respire», com «moderação fiscal».

Nos Açores, Paulo Portas respondeu às críticas do presidente do Governo Regional, que o acusou de não integrar os Açores numa visita que o vice-primeiro-ministro liderou ao Canadá.

«Se o Governo Regional me quer culpar pelo facto de uma empresa pública dependente do Governo da Região ter sido convidada para estar presente na missão que eu dirigi com empresas ao Canadá e essa empresa do Governo Regional declina legitimamente o convite, que culpa tenho eu que eles tenham decidido declinar o convite», frisou, alegando que o Governo Regional tem que «se organizar melhor».

Paulo Portas referia-se à Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores, mas o vice-presidente do Governo Regional dos Açores, Sérgio Ávila, já disse entretanto que a visita ao Canadá liderada pelo vice-primeiro-ministro não pode ser confundida com uma missão empresarial, tendo em conta que se focou em assuntos relacionados com o mar.

«Se faz sentido estar a ministra do Mar, faz todo o sentido estar o Governo dos Açores, porque, é bom lembrar, por força da Constituição, a exploração do Mar dos Açores é uma competência partilhada entra a República e a Região», disse Sérgio Ávila.

A não integração do Governo Regional dos Açores na comitiva que foi ao Canadá foi criticada na região não só pelo executivo socialista, como pelo PSD regional, mas Artur Lima, líder regional do CDS criticou os socialistas, alegando que os açorianos não podem «dar razões para ressuscitar querelas centralistas balofas».

«O recente e despropositado episódio relativo à deslocação de uma delegação empresarial portuguesa ao Canadá serve como exemplo paradigmático da forma como as governações regionais têm aprofundado a nossa autonomia. A autonomia não é político-partidária quando se utiliza com estes fins», frisou.

Ainda sobre esta matéria, Paulo Portas disse que não guarda ressentimentos, salientando que o que lhe interessa é que «haja mais empresas açorianas internacionalizadas».

O líder centrista considerou que «não é aceitável a diferenciação às taxas de desemprego» nos Açores em comparação com a média nacional, alegando que na República apesar de ainda ser alto o desemprego tem vindo a diminuir.

Paulo Portas assumiu que os resultados do partido nos Açores, nas últimas eleições legislativas regionais, podiam ter sido melhores se não fosse «a circunstância nacional excecional que o país viveu», mas mostrou-se confiante de que o próximo ciclo político do CDS na região será de «crescimento».

O líder do CDS apontou ainda como meta que o partido chegue aos 40 mil militantes ativos, até ao final deste ano, pedindo o contributo dos Açores.