A entrada em vigor da nova pauta aduaneira em Angola em janeiro deve fazer aumentar os preços, não só das mercadorias importadas, mas também das produzidas localmente, estima o BPI numa nota de análise a que a Lusa teve acesso.

De acordo com a nota do Departamento de Estudos Económicos e Financeiros do BPI, «dado o peso dos bens importados no cálculo do nível de preços doméstico, o aumento das tarifas aduaneiras provavelmente vai resvalar para os preços locais e pode colocar em risco o controle da inflação por parte do Banco Nacional de Angola».

Os economistas do BPI explicam que isto pode acontecer por duas razões: primeiro, «há um efeito direto associado ao aumento do preço no consumo final de bens importados» e, depois, «as empresas que dependem de bens e intermediários estrangeiros reagem a custos de produção mais elevados, aumentando os preços finais para evitar descidas na sua margem de lucro».

Segundo a análise, isto faz com que as empresas que não precisem de bens importados no seu negócio acabem também por aumentar os preços devido à subida dos valores dos seus concorrentes, podendo aumentar o valor dos seus produtos até ao limite que os consumidores conseguirem acomodar.

A nova pauta aduaneira vai entrar em vigor em janeiro do próximo ano, e deverá aumentar os impostos médios sobre as mercadorias importadas num valor que pode chegar aos 50%, no caso da cerveja e da água mineral, cuja taxa é atualmente de 30%.

O aumento deste imposto sobre os bens importados, sublinha o BPI, «tem o objetivo principal desencorajar as importações e fortalecer a produção nacional, de modo a tornar a economia autossustentável».