O mercado de compra e venda de imóveis em Portugal aumentou em 2014 e passou a ser dominante, segundo o último relatório do gabinete de estudos da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária.

No documento lê-se que nos primeiros nove meses do ano passado «50,2% das pesquisas efetuadas (nas buscas por imóveis) dirigiram-se para a compra (…), enquanto 48,9% se direcionaram para o mercado de arrendamento».

O presidente da APEMIP, Luís Lima, indicou, por seu lado, que o ano passado se revelou «positivo para o setor imobiliário», face ao «aumento do dinamismo do mercado de compra e venda» no país.

O responsável notou que ao longo do ano se verificou uma «diminuição da representatividade dos imóveis colocados no mercado de arrendamento, em prol da aquisição de produtos imobiliários».

Nas pesquisas efetuadas no portal CasaYes, a procura de valores, no mercado de arrendamento no âmbito nacional, centrou-se em preços abaixo dos 300 euros (41,5%) e entre 300 e 500 euros (37,9%), enquanto do lado da oferta apenas 19,1% tinham valores abaixo dos 300 euros e 42,6% entre os 300 e os 500 euros.

Nos primeiros nove meses de 2014, a nível de compra e venda a maior percentagem (31,3%) foi dos valores entre os 75.000 e os 125.000 euros, que também teve a maior oferta (23%).

A maior procura foi por apartamentos (58,7%), por T2 e T3, e no concelho de Lisboa (10,3%), enquanto na procura por moradias, Vila Nova de Gaia continua a liderar, com 4,13% de pesquisas geradas.

O Inquérito Mensal de Conjuntura, incluído no relatório referente ao 3.º trimestre de 2014, mostra que as expetativas eram otimistas entre as empresas de medição imobiliária.

As expetativas gerais das empresas de mediação imobiliária, têm vindo a melhorar, podendo-se observar um sentimento claramente mais otimista, principalmente no mês de agosto, para os quais contribuíram os fluxos turísticos e os mecanismos legais que impulsionaram a procura, sobretudo a de cariz internacional.

Como principais «obstáculos ao desenvolvimento efetivo da atividade da mediação imobiliária», as empresas indicam a restritividade bancária, a instabilidade do mercado de trabalho, a diminuição do poder de compra, a mediação ilegal e o desinvestimento económico.

Luís Lima considerou que o mercado nacional foi «positivamente contagiado» pela dinâmica criada pelos investidores estrangeiros e pelas movimentações observadas nos departamentos comerciais da banca através do «incentivo à concessão de crédito imobiliário direcionado ao segmento residencial»

Assim, os dados mostram um «aumento consecutivo do número de transações imobiliárias, o que reflete a retoma, ainda que tímida» do setor.

O Índice de Preços na habitação (IPHab), que mede a evolução dos preços dos alojamentos familiares adquiridos no mercado residencial em Portugal, através de dados anuais, mostra um «ligeiro crescimento em 2013», depois de 2010 a 2012 ter existido decréscimo.