Pode ser um trunfo de peso para os trabalhadores na argumentação com os patrões: um estudo científico concluiu que ver fotografias de «animais fofinhos» no trabalho aumenta a produtividade.

O estudo, elaborado pelo investigador japonês Hiroshi Nittono para a Universidade de Hiroshima, e citado pelo «Huffington Post», conclui que olhar para imagens de cachorrinhos ou ursos panda, ou vídeos cómicos de gatinhos, por exemplo, durante o horário de trabalho, não só melhora o humor dos funcionários como pode também aumentar a sua produtividade.

A análise mostra que os participantes realizaram com melhores resultados tarefas que exigiam maior concentração, após terem visto imagens destas. Segundo o investigador, isto concentra e foca a atenção, algo que é induzido «por emoções positivas despoletadas pelas imagens agradáveis», e que «está associado a uma abordagem motivacional e à tendência para o processamento sistémico».

Publicado na semana passada pela revista especializada «PlosOne», a pesquisa japonesa conclui assim que estas imagens acabam por contribuir para focar a atenção em pormenores, melhorando a performance dos trabalhadores na tarefa como um todo.

No Japão, o kawaii (expressão japonesa para denominar as imagens «fofinhas») é um autêntico fenómeno cultural, especialmente na Internet. «Basta pensar na loucura à volta da Hello Kitty», ironiza o «Huffington Post».

A uma conclusão semelhante chegou o site especializado LiveScience.com: «estas imagens, com cabeças e olhos grandes, induzem sentimentos positivos porque se parecem com bebés».

No estudo japonês, Nittono e os seus colegas analisaram um grupo 48 estudantes enquanto estes realizavam uma tarefa semelhante ao jogo «Operação» (em que os jogadores têm de realizar uma espécie de cirurgia num boneco, com peças minúsculas, sem perturbar os órgãos à volta daquele que está a ser operado). Os estudantes tiveram três tentativas para realizar a operação: a primeira, após visualizarem imagens de animais bebés, outra após verem fotos de animais adultos e a terceira após verem imagens de comidas deliciosas.

Os estudantes que olharam para a primeira série de fotos concluíram o jogo com resultados muito melhores que os outros colegas.

Os investigadores lançaram várias hipóteses para explicar esta diferença. Uma está ligada à tendência comportamental dos adultos, de abrandar o discurso enquanto falam com cachorrinhos e gatinhos bebés. Comportamentos «que podem ser transferidos para as tarefas subsequentes e refletir-se na sua performance», escreve o «Washington Post».

Outra razão pode estar relacionada com os instintos protetores. «Se ver imagens fofinhas torna o observador mais atento, a performance de uma tarefa percetiva e não motora também será melhorada», diz o estudo.

Por outro lado, estudos anteriores têm mostrado que pequenas pausas, independentemente da sua natureza, seja para olhar para animais «fofinhos» ou para ver um vídeo cómico na Internet, podem ajudar o trabalhador a manter-se mais focado durante o dia.

«Pesquisar pela Internet pode mesmo refrescar trabalhadores cansados e melhorar a sua produtividade, mais do que outras atividades, como fazer chamadas de caráter pessoal, textos ou e-mails, quanto mais trabalhar de seguida sem qualquer pausa», acrescenta o «The Wall Street Journal».

Uma teoria que é comprovada por um estudo de 2009, da Universidade de Melbourne, onde se conclui que «pausas curtas e com caráter motivador» tornam os trabalhadores mais produtivos do que os colegas que não cedem de vez em quando à tentação da Internet.