O número de empresas insolventes recuou em 2014, em termos anuais, o que aconteceu pela primeira vez desde 2010, informou a Ignios esta segunda-feira.

No âmbito dos dados que divulga no ‘Observatório de Insolvências, Novas Constituições e Créditos Vencidos’, a empresa fornecedora de serviços de gestão de risco apurou que se registaram 6.773 insolvências de sociedades em 2014, «com a segunda metade do ano a confirmar em definitivo o percurso de decrescimento».

«Mesmo tendo em consideração as restrições processuais no Ministério da Justiça, que incidiram sobretudo sobre os registos do mês de setembro, o número de insolvências terá recuado pelo menos 10,6% face a 2013», estima a Ignios, num comunicado hoje divulgado.

No final do ano passado, estavam ativas em Portugal 540.359 empresas, com o número de insolvências a registar um peso de 1,25% em relação a esse total, o que demonstra também um «ligeiro recuo» face aos 1,44% observados em 2013, acrescenta.

Das empresas insolventes no ano passado, 93,4% eram microempresas, indica ainda a Ignios, que na sua base de dados inclui tanto os processos de insolvência já concluídos, como aqueles que estão em curso (incluindo os que foram solicitados pelas empresas e credores) e ainda os planos de insolvência aprovados.

Da análise dos números relativos a 2014, a empresa considera também que o crescimento dos Processos Especiais de Revitalização (PER) contribuiu para a diminuição do número de insolvências.

«No primeiro semestre do ano passado, tinham dado entrada 734 PER, o que compara com os 521 registados no mesmo período do ano anterior», lê-se no comunicado.

De acordo com os dados divulgados esta segunda-feira, a criação de empresas no ano passado aponta também para um aumento face a 2013, com um total de 35.264 novas sociedades criadas em 2014 - mais 1,6% do que no ano anterior.

Desta forma, dá-se «continuidade ao percurso de subida que se vem registando desde 2012», quando se registou uma queda anual de 11,5% desse indicador, acrescenta.

O presidente executivo da Ignios, António Monteiro, considerou que 2014 «confirmou os sinais de recuperação da economia que se começaram a notar desde final de 2013».

«São ainda indicadores que evidenciam crescimentos não tão expressivos quanto desejável, mas que mostram que, além da economia mais favorável, também os níveis de confiança das empresas estão a recuperar», acrescentou o mesmo responsável, citado em comunicado.

O setor de construção e obras públicas foi aquele que registou o maior número de insolvências no ano passado (1.284 empresas, ou 19% do total), seguido pelo setor de «outros serviços» (1.232 e 18,2% do total) e, em terceiro lugar, pelas empresas de «comércio a retalho» (1.118, 16,5%).

Por distritos, Lisboa foi aquele onde ocorreram um maior número de insolvências no ano passado (21,8% do total), mas foi também onde nasceram mais sociedades (29,3% do total de novas constituições).

Seguem-se os distritos do Porto (23,1% das insolvências e 18,7% das constituições) e de Braga (11,1% e 8,5%).