O presidente do instituto que gere a dívida pública portuguesa, IGCP, afirmou que Portugal vai ter capacidade para emitir dívida pública de forma regular a seguir à atual revisão da troika que deve terminar em outubro.

«Após a conclusão da revisão da ¿troika¿ [que decorre desde meados de setembro] pretendemos voltar ao mercado de forma regular», afirmou o presidente do IGCP, João Moreira Rato, feitas ao jornal japonês Nikkei e publicadas hoje.

O responsável pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública disse ainda que espera uma melhoria nas taxas de juro da dívida portuguesa após a conclusão da atual revisão da troika ¿ que cobre a 8ª e 9ª avaliações ¿ e da definição das medidas que vão integrar o Orçamento do Estado para 2014, que será apresentado o mais tardar a 15 de outubro.

Moreira Rato atribui ainda as recentes subidas das taxas de juro sobre a dívida pública portuguesa no mercado secundário ao que ainda falta conhecer do próximo orçamento.

«A subida nas taxas de juro das obrigações portuguesas tem sido motivada pela crescente incerteza em torno do orçamento do próximo ano», disse o responsável.

João Moreira Rato estima ainda que Portugal vá ao mercado pedir pelo menos cerca de 5,5 mil milhões de euros no próximo ano, através de emissões sindicadas (colocações feitas por um sindicato restrito de bancos escolhido pelo IGCP, ao contrário das emissões normais de mercado em que são utilizados os chamados primary dealers, que são uma lista de bancos habilitados para fazer as colocações em leilão).

Este tipo de emissões costuma ser usado quando se cria uma nova linha de obrigações ou para a colocação de dívida de forma privada.