O cancelamento de mais swaps ainda este ano entre as empresas públicas e os bancos aumentariam o défice, uma vez que o IGCP não tem forma de compensar as perdas, admitiu hoje o presidente do instituto que gere a dívida pública, escreve a Lusa.

«Não (...). Neste momento já não há muitas operações que possamos fazer», disse Moreira Rato aos jornalistas, à margem da sua audição na comissão de inquérito aos swaps contratados por empresas públicas, quando questionado sobre se o IGCP - Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública teria forma de compensar um eventual cancelamento até final do ano dos swaps do Santander Totta, alvo de disputa entre o Estado e o banco.

Ao mesmo tempo que as empresas públicas estavam a cancelar contratos swaps com os bancos, os quais implicavam perdas, o IGCP fechou também posições que tinha em swaps mas com valor positivo, de modo a neutralizar o impacto e evitar o aumento do défice.

Até ao momento, dos mais de 3.000 milhões de euros de perdas potenciais existentes nos contratos swap no final do ano passado, as empresas públicas pagaram 1.008 milhões de euros para anular 69 contratos, com perdas potenciais de 1.500 milhões de euros estimadas pelo IGCP. Sobram ainda cerca de 1.500 milhões de euros em perdas potenciais, a maior parte das quais com contratos com o Santander Totta, com o qual ainda não foi possível qualquer entendimento.

O valor que teve de ser pago para cancelar os contratos swap relativos às empresas dentro do Orçamento do Estado (contam para o défice e para a dívida pública) foi de 839,5 milhões de euros, tendo sido compensado por um valor semelhante recebido pelo IGCP ao fechar operações swap sobre dívida pública.

Já as empresas públicas que não estão incluídas no perímetro orçamental (que não contam para o défice orçamental diretamente) gastaram 169 milhões de euros.