O argumento não parece novo. Um especialista em informática com acesso a informação ultrassecreta, obrigado ao sigilo, mas que acaba por revelá-la em nome de um bem maior (assim entende).
 
Até parece que estamos a falar de Edward Snowden, cidadão norte-americano que trabalhava para os serviços secretos americanos e que, após, deixar os Estados Unidos com um - no mínimo – incidente diplomático – para resolver quando meio mundo descobriu que as suas conversas estavam a ser escutadas, incluindo as dos maiores chefes mundiais, se exilou na Rússia.
 
O argumento não parece realmente novo, mas tem algumas nuances, como qualquer remake de ficção, porque, afinal, diz a indústria do género, «está tudo inventado».
 
O protagonista é aqui um cidadão com dupla nacionalidade, francesa e italiana, que trabalhava para um grande banco suíço: Hervé Falciani. No final, o leitor decide se ele é herói ou vilão desta história. Ele prefere que lhe chamem «James Bond».
 
Em dezembro de 2008, Hervé Falciani foi detido e interrogado, a sua casa em Genebra, na Suíça, passada a pente fino e o computador analisado. Falciani enfrentava a acusação de ter vendido dados do HSBC Private Bank, onde trabalha, a bancos no Líbano.
 
Mas, as autoridades, que prometeram novos interrogatórios para o dia seguinte, deixaram-no sair. Não voltou. Saiu da polícia e do país. Rumou a França. Na bagagem levou os nomes de centenas de clientes do banco suíço e as alegadas provas da sua evasão fiscal.
 
Saltimbanco que foge das autoridades suíças, tanto se tenta esconder do mundo como quer ser político. As autoridades suíças querem acusá-lo de roubo de informação, as autoridades francesas aproveitaram as suas denúncias para abrir inquéritos a casos de evasão fiscal e branqueamento de capitais.
 
Os jornalistas analisaram cerca de 60.000 ficheiros, alguns dos quais com informações que denunciam que o banco tinha conhecimento de práticas ilícitas de alguns clientes, como veio agora a ser revelado pelo jornal francês «Le Monde».
 
A informação agora divulgada diz respeito a contas no valor de mais de 100 mil milhões de dólares (cerca de 88 mil milhões de euros) de 106.000 clientes de 203 países.
 
De acordo com as informações divulgadas pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, das 778 contas bancárias, 531 foram abertas entre 1970 e 2006, e dos 611 clientes com ligações a Portugal, 36 por cento tem passaporte português.
 
Segundo a investigação, o HSBC Private Bank garantiu repetidamente aos seus clientes que nunca revelaria qualquer detalhe sobre contas bancárias às autoridades fiscais dos respetivos países, mesmo que houvesse indícios de fugas fiscais.
 
Herói ou vilão? Queria ele ficar rico ou tirar aos ricos? Hervé Falciani é um protagonista para dois argumentos. O nome do filme é que já se sabe: «Swissleaks».