
O banco britânico HSBC reconheceu ter cometido «falhas» e apresentou publicamente desculpas, diante do Senado norte-americano, por ter falhado na fiscalização de possíveis operações de branqueamento de capitais.
«Apresentamos as nossas desculpas devido ao facto de o HSCB não ter estado à altura das expetativas dos nossos reguladores, dos nossos clientes, dos nossos funcionários e dos cidadãos», afirmou Irene Dorner, presidente do HBUS, a filial norte-americana do Hong Kong and Shanghai Banking Corporation (HSBC), citada pela Lusa.
Este incumprimento das regulamentações «é inaceitável», acrescentou a responsável, que falava na comissão de segurança interna, no Senado, que publicou na terça-feira um relatório sobre as práticas do banco.
O HSBC foi acusado pelos senadores norte-americanos, durante uma audição pública, de poder ter dado ao Irão, a terroristas e a traficantes de droga acesso ao sistema financeiro dos EUA, após o que o diretor do serviço de controlo do banco desde 2002, David Bagley, anunciou a sua demissão em pleno Senado.
O Senado divulgou na terça-feira o relatório de uma investigação de um ano onde demonstra que o banco operava nos EUA, através das suas filiais, com fundos presumivelmente provenientes dos cartéis mexicanos de tráfico de droga e de países como o Irão e a síria, que estão sujeitos a sanções do governo norte-americano.
A investigação incidiu sobre as atividades do HSBC entre 2006 e 2010, durante a qual foram analisados 1,4 milhões de documentos e entrevistados 75 dirigentes de topo do banco, bem como reguladores do setor da banca dos EUA.
Os senadores apuraram que o HSBC realizou 25 mil transações secretas com o Irão, entre 2001 e 2007, num montante de 16 mil milhões de dólares, acusando os responsáveis do banco de estarem ao corrente e de nada terem feito.
No documento acusa-se ainda o HSBC de expor o sistema financeiro norte-americano a possíveis operações de lavagem de dinheiro dos cartéis mexicanos, ao transferir sete mil milhões de dólares físicos do México para os EUA.