Um grupo de trabalhadores da Tivoli Hotels & Resorts entregou hoje uma petição no Tribunal da Relação de Lisboa a pedir a “urgente” conclusão dos Processos Especiais de Revitalização (PER) em curso desde finais do ano passado.O documento, datado de 21 de setembro, foi assinado por 700 dos quase 1.200 trabalhadores do Tivoli, que manifestam desta forma a sua preocupação com o futuro da empresa, caso aquele plano não avance ou demore “demasiado tempo” a concretizar-se.

“Preocupa-nos o tempo que demora a tomada de uma decisão, há investidores interessados em investir que se poderão perder devido à morosidade do processo”, contou à Lusa, à porta do tribunal, um dos signatários da petição, António Leitão, trabalhador do Tivoli há 45 anos.


António Leitão explicou que os trabalhadores estão em sintonia com a administração, tendo o seu apoio até nesta ação de luta, e lembrou que as dificuldades que o Tivoli Hotels & Resorts enfrenta se explicam por pertencer ao Grupo Espírito Santo, porque “clientes no Tivoli não faltam”.

Na petição, a que a Lusa teve acesso, os trabalhadores pedem ao juiz uma “resolução rápida” do dossier Tivoli e lembram que há mais de 1.100 famílias diretamente dependentes deste grupo hoteleiro, que tem mais de 80 anos de história em Portugal.

Em comunicado hoje emitido, a administração da Tivoli Hotels & Resorts afirma que "compreende e apoia a petição dos seus colaboradores", considerando ser "necessário e urgente" sair do atual "impasse".

"Conforme é do conhecimento público, existe um plano de recuperação aprovado pelos credores que prevê a continuidade, investimento e expansão internacional da marca, com enormes benefícios para o grupo Tivoli, para os seus parceiros, para o turismo e para a economia nacional. É necessário e urgente sairmos deste impasse", lê-se no documento, assinado pelo administrador Filipe Santiago.

O plano de recuperação dos Hotéis Tivoli, que foi aprovado por mais de 99% dos credores, prevê a continuidade da marca.

Na sexta-feira, o grupo tailandês Minor anunciou a aquisição, por 38,5 milhões de euros, do Hotel Tivoli Oriente, em Lisboa, que se seguiu à compra que há havia concretizado, no início do ano, de quatro edifícios ocupados por hotéis Tivoli em Portugal (Tivoli Lisboa, Tivoli Marina de Vilamoura, Tivoli Portimão e Tivoli Carvoeiro) e dois no Brasil, por 160 milhões de euros.

O grupo Tivoli Hotels & Resorts pertence ao universo do antigo Banco Espírito Santo (BES), através da Rioforte.