O número de hóspedes estrangeiros alojados em estabelecimentos hoteleiros cresceu 38,9% entre 2002 e 2012, ano em que 7,7 milhões de turistas residentes noutros países pernoitaram em Portugal, indicam dados disponíveis na Pordata.

Este crescimento foi superior ao dos portugueses em estabelecimentos hoteleiros, que aumentaram 26% entre 2002 e 2012, último ano para o qual existem dados disponíveis, de acordo com números respeitantes ao setor do turismo, que passam a partir de hoje a estar na base de dados Pordata (www.pordata.pt), na área Pordata Portugal.

No total, o número de hóspedes teve uma subida significativa nesta última década, de 31,2% para 13,8 milhões em 2012, mostram também os dados do Instituto Nacional de Estatística disponíveis.

No entanto, foi o aumento da importância dos estrangeiros no turismo já desde os anos 1970 que chamou a atenção da diretora da Pordata, Maria João Valente Rosa, que destaca essa evolução no que respeita ao número de dormidas (noites pagas em estabelecimentos hoteleiros).

«Se bem que tenham aumentado as dormidas de nacionais e de estrangeiros, estas últimas tiveram um crescimento mais intenso: até 1978 as dormidas de residentes em Portugal foram quase sempre superiores a 50% do total de dormidas e, a partir dessa data, as dormidas de nacionais começam a perder importância ¿ representando nos últimos anos apenas cerca de um terço das dormidas ¿ para as dormidas de estrangeiros», sublinha a demógrafa e docente universitária, numa entrevista escrita à Lusa.

Os números mais recentes confirmam aliás que, em 2012, das mais de 39,6 milhões de pernoitas em estabelecimentos hoteleiros, 68,7% foram pagas por turistas vindos do estrangeiro.

A evolução do total de dormidas no longo prazo é também interessante. Desde 2002, deu-se uma subida de 16%, mas olhando para as últimas cinco décadas, este número cresce «muito significativamente». «Mais de seis vezes de 1965 a 2012»: de 6,3 milhões para 39,7 milhões de dormidas, refere a diretora da Pordata.

«Este crescimento traduz o aumento da atratividade de Portugal em relação ao estrangeiro», comenta também Maria João Valente Rosa, para quem «a mobilidade das populações é uma área cada vez mais decisiva do presente e do futuro das sociedades modernas».

«E a mobilidade não pressupõe necessariamente mudança de residência, mas também mobilidade turística», refere.

O tema do turismo passou a estar disponível na base de dados Pordata Europa no verão de 2013, permitindo comparar o país com a UE28 (União Europeia).

Com a disponibilização do mesmo tema na Pordata Portugal, passa agora a ser possível «uma análise mais aprofundada da evolução do turismo» no país - acrescenta a demógrafa portuguesa - e os dados disponíveis recuam até à década de 1960, sempre que possível.

«Quem mais nos visita hoje? E no passado? Que tipos de alojamentos turísticos são oferecidos? Estas são apenas algumas das questões que poderão ser esclarecidas pela consulta destes dados», lembra a responsável da Pordata, base de dados criada e patrocinada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.