O dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Hotelaria da Madeira declarou esta segunda-feira que a greve convocada para os próximos três dias na região «é inevitável», perspetivando uma boa adesão.

«Não obtivemos qualquer resposta oficial ou qualquer abertura por parte das entidades empregadoras para retomar as negociações antes da greve. Portanto, a greve é inevitável amanhã [terça-feira]», disse Leonel Nunes à Lusa depois de uma reunião de trabalhadores do setor, no Funchal.

Segundo o sindicalista, a paralisação «está decretada a partir da meia-noite» e está também programada uma concentração às 10:30, junto ao Casino da Madeira, seguida de uma marcha até ao centro do Funchal.

«A informação que fomos recolhendo na reunião que fizemos hoje, a de preparação, é que há boas perspetivas de, nos hotéis onde existem mais trabalhadores com capacidade profissional, os efetivos, não precários, haver uma adesão elevada» à greve, salientou.

Leonel Nunes referiu ainda que as unidades hoteleiras estão a utilizar pessoas sem formação na área para irem substituir os funcionários em greve.

«Os patrões não olham a meios e não querem saber de qualidade, o que interessa é servir mesmo mal os clientes», sublinhou o sindicalista, adiantando ter a informação de que já existem hóspedes desagradados com a qualidade do serviço nos hotéis de cinco estrelas.

«Estamos a ver que será uma passagem de ano com muitas deficiências no setor», afirmou o dirigente sindical.

Leonel Nunes desvalorizou ainda as declarações da secretária regional do Turismo da Madeira, Conceição Estudante, que hoje considerou que esta greve é «uma questão interna» e que tem de ser «dirimida» pelos estabelecimentos hoteleiros.

No seu entender, é extemporânea a intervenção do governo madeirense para resolver o conflito.

«Isso é uma declaração de uma secretária do governo a prazo», afirmou Leonel Nunes, recordando que os anteriores responsáveis pelos setores do Turismo e Trabalho encravam qualquer instabilidade com preocupação e «convocavam as partes para se sentarem e resolverem os conflitos quando se esgotava o diálogo».

«O que está em causa é isto: a rutura é total, porque as entidades empregadoras já há um ano que andam a bater na mesma tecla, querem roubar os trabalhadores e não permitimos», vincou.

O impasse nas negociações do contrato coletivo de trabalho que se arrasta há um ano e a aplicação de horários de trabalho de 60 horas semanais são algumas das razões que levam os trabalhadores a decretar esta greve.

O sindicato da Hotelaria da Madeira convocou a paralisação para os dias 30 e 31 de dezembro e 01 de janeiro, quando as unidades hoteleiras registam uma ocupação superior a 90%, na altura do principal cartaz turístico da ilha, o espetáculo de fogo-de-artifício na passagem de ano.