O presidente do Lloyds Banking Group, António Horta Osório, afirmou hoje que o próximo governo só será credível se for no sentido de aplicar reformas estruturais.

O banqueiro, que falava na conferência anual do Jornal de Negócios em Lisboa sobre o tema «Os Caminhos do Crescimento», disse que «um programa de governo credível terá de ir no sentido das reformas estruturais».

"O povo português não pode desbaratar o que conquistou neste últimos anos, correndo o perigo de ter austeridade ao quadrado", observou.


Horta Osório adiantou que as reformas estruturais terão ir ser no sentido de melhorar a competitividade da economia e realçou a importância de Portugal "pensar numa política de imigração inteligente", atraindo «bons quadros» que levarão a ter mão-de-obra qualificada e acrescentar valor à riqueza do país.

O presidente do Lloyds deu os exemplos de Singapura, que aumentou a população em 1,3 milhões em dez anos, da Irlanda e de Espanha, com crescimentos s de 20% e 15%, respetivamente.

Ao contrário, «Portugal tem a população estagnada nos últimos 10 anos, e nos últimos 5 anos está a descer», frisou Horta Osório, acrescentando que o país tem um território que é o dobro da Bélgica e com a mesma população, e um território semelhante ao da Holanda, que tem o dobro da população.

Para o banqueiro, há que reverter o problema dos desequilíbrios orçamentais e do aumento da dívida em que Portugal passou de uma dívida global antes da crise financeira de 270% para os atuais 340% do Produto Interno Bruto (PIB).

A solução é desalanvancar a economia, embora isso implique "um enorme sofrimento social". Apesar disso, Horta Osório afirmou que «a situação está a melhorar», porque Portugal tem uma situação externa equilibrada, que foi alcançada devido «ao ajustamento brutal da procura interna e teve consequências muito importantes em termos sociais».

A conferência organizada pelo Jornal de Negócios terá a participação de várias personalidades, entre as quais o líder do PS, António Costa, e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.