Desde os tempos da troika que soaram os alarmes sobre a falta de produtividade dos portugueses em comparação com os alemães e Angela Merkel chegou mesmo a defender que houvesse menos férias no país à beira-mar plantado. Estávamos em 2011, mas o que as estatísticas mostram é que não só os portugueses têm vindo a trabalhar cada vez mais, como trabalham muito mais do que alemães ou holandeses. Para além disso, têm menos dias de férias. 

Por falar em holandeses, o ex-presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, ainda no ano passado sisse que que os países do Sul gastavam o dinheiro em "copos e mulheres".

Mas, pelo contrário, um estudo do Observatório das Desigualdades do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, que será apresentado amanhã, quarta-feira, mostra como em Portugal se trabalha - e muito:

Conclui este estudo, que a TSF antecipou esta manhã, que quem tem um contrato de trabalho a tempo inteiro passou de uma média de 40,2 horas por semana em 2008, para laborar 41,1 horas semanais em 2016.

A média europeia é de 40,3 horas. No conjunto dos 28 países da União Europeia, Portugal tem o quinto tempo mais elevado.

No final do ano, um português terá trabalhado 1.797 horas, mais 77 do que a média comunitária, ou quase duas semanas a mais a laborar. Muito mais do que holandeses ou alemães, que desempenham funções laborais durante menos de 1.700 horas/ano.

Férias e feriados

Para além do tempo de trabalho, este estudo, intitulado O mercado de trabalho em Portugal e nos países europeus, inclui também os dias de férias. Também aqui os portugueses têm, em média, menos tempo de descanso do que os europeus.

Na UE, a média de férias chega aos 24,6 dias por ano. Em Portugal é de 22 dias. Na Alemanha, há direito a 30 dias de férias por ano. Na Holanda, são 25,6.

Já quanto os feriados, que também entram nas contas, as coisas estão mais equilibradas. Os portugueses até saem a ganhar, mas pouco: 10 dias anuais vs. 9,2 na média da UE.