Conforme ficou decidido na última sexta-feira, a administração e a Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa retomam hoje as negociações sobre horários. Isto  depois do chumbo de dois pré-acordos e da gestão da fábrica de Palmela anunciar a imposição unilateral de um novo formato.

Antes do fim de semana, houve uma reunião no Ministério do Trabalho com a presença do ministro Vieira da Silva e de dois secretários de Estado, bem como dos representantes dos trabalhadores e da administração liderada por Miguel Sanches.

Na altura, o coordenador da CT, Fernando Gonçalves, apenas avançou o dia da nova reunião e disse que o plenário da próxima quarta-feira se mantem, enquanto o diretor da fábrica, Miguel Sanches, adiantou que o que “pode mudar é o modelo de trabalho do segundo semestre” do próximo ano.

Depois da rejeição pelos trabalhadores, em referendo, de dois pré-acordos negociados com a CT de alterações aos horários de trabalho, na sequência do aumento da produção, a administração impôs unilateralmente o novo modelo para ser implementado em finais de janeiro e que inclui 17 turnos semanais.

Promessas da empresa rejeitadas pelos trabalhadores

A administração promete pagar os sábados a 100%, equivalente ao pagamento como trabalho extraordinário, que era uma das principais reivindicações dos trabalhadores. Este pagamento dos sábados a 100% poderá ainda ser acrescido de mais 25%, caso sejam cumpridos os objetivos de produção trimestrais.

Porém, esta posição foi rejeitada pela CT, que reiterou que "este modelo de horário e as suas condições são mais desfavoráveis e contrariam a vontade expressa pela maioria dos trabalhadores".

O novo horário, que entrará em vigor em finais de janeiro, deverá vigorar até ao mês de agosto de 2018. A Autoeuropa promete discutir o período após agosto com a CT.

Os novos horários de laboração contínua preveem quatro fins de semana completos e mais um período de dois dias consecutivos de folga em cada dois meses para cada trabalhador.

A questão dos horários colocou-se com o fabrico do novo modelo T-Roc, que como já recordou o ministro Vieira da Silva, tem “grande aceitação comercial” e as previsões são de “dobrar ou até ultrapassar” a produção global prevista.

O Governo vai continuar a acompanhar a situação e poderá assumir “responsabilidades em algumas dimensões” como a criação e reforço de “equipamentos sociais de apoio à família” que possa responder aos novos horários da fábrica.