O primeiro autocarro elétrico de Hong Kong saiu esta segunda-feira para a rua, figurando como parte de uma «campanha» contra a «chocante» poluição que assola a antiga colónia britânica.

O chefe do executivo de Hong Kong, Leung Chun-ying, prometeu tornar o combate à poluição numa das prioridades de topo durante o seu mandato de cinco anos, com um relatório oficial a indicar que esta constitui «o maior risco para a saúde diário» para os cerca de sete milhões de habitantes.

Ao longo do próximo mês, o autocarro vai ser testado, com o seu desempenho a ser colocado à prova nas horas de ponta numa das estradas mais movimentadas de Hong Kong.

O novo autocarro, produzido pela chinesa BYD, é alimentado por baterias de lítio de fosfato de ferro que demoram três horas a carregar, dotando a viatura de capacidade para percorrer cerca de 180 quilómetros.

A mesma empresa fabricou os primeiros táxis elétricos da cidade, lançados em maio.

De acordo com o secretário para o Ambiente, Wong Kam-shing, o investimento do Governo da Região Administrativa Especial chinesa no projeto-piloto é na ordem dos 180 milhões de dólares de Hong Kong (17,6 milhões de euros) até ao próximo ano, ajudando a subsidiar a compra de 36 autocarros elétricos que vão ser geridos por empresas privadas.

«O objetivo a longo prazo é rumo a emissões zero na estrada», disse, numa conferência de imprensa, sem facultar, porém, um calendário relativamente à expansão do projeto experimental.

«Precisamos de o fazer passo a passo», acrescentou.

A Kowloon Motor Bus (KMB), o maior operador envolvido no programa experimental, afirmou que iria levar tempo e dinheiro a transformar a sua frota - de 3.800 autocarros -, dado que cada bateria das viaturas «amigas do ambiente» custa cerca de 5 milhões de dólares de Hong Kong (cerca de 489 mil euros).

«Nós ainda precisamos de recolher muitos dados operacionais para uma análise detalhada e para obter o feedback do cliente», disse o diretor da KMB, Ho Tat-man.

Um estudo levado a cabo pela Universidade de Hong Kong demonstra que as doenças relacionadas com a poluição estão na origem da morte de mais de 3.000 residentes por ano, com os grupos ambientalistas a culparem os gases emitidos pelos tubos de escape como a principal fonte de poluição.

Novas metas de qualidade do ar, anunciadas no ano passado, para sete poluentes - incluindo o monóxido de carbono - foram criticadas por representarem muito pouco e por chegarem tarde.

A vizinha cidade de Macau pôs a circular, na ilha da Taipa, o seu primeiro autocarro elétrico, também a título experimental, no início de julho, numa primeira fase de «teste», bastante afastada do caos do centro da cidade, que se prolonga até ao dia 26 deste mês.