
A Alemanha não pode «colocar dois travões ao mesmo tempo nas eurobonds e no refinanciamento direto das dívidas pelo Banco Central Europeu (BCE)», afirmou François Hollande à revista online Slate, numa entrevista feita na sexta-feira mas divulgada esta segunda-feira.
François Hollande foi eleito no domingo presidente de França, com 51,62 por cento dos votos, derrotando Nicolas Sarkozy. Hollande torna-se, assim, no primeiro presidente socialista de França em quase duas décadas.
Relativamente à questão do relançamento do crescimento, «tivemos discussões com os nossos parceiros e, particularmente, com os nossos amigos alemães, mas eles não podem colocar dois travões ao mesmo tempo, um nas eurobonds [obrigações europeias] e outro no refinanciamento direto das dívidas pelo BCE», afirmou Hollande.
«Não haverá nenhuma sequela ligada à eleição presidencial» com a Alemanha, garantiu o próximo chefe de Estado francês, que vai reunir-se com a chanceler alemã, Angela Merkel, em Berlim, a 16 de maio, um dia depois da sua posse.
A entrevista, realizada na manhã de sexta-feira, foi «relida e alterada por François Hollande quando soube que tinha sido eleito», esclareceu a revista Slate.
De acordo com a equipa da campanha socialista, François Hollande e Angela Merkel tiveram uma conversa «substancial» no domingo à noite.
Para o novo presidente socialista, é preciso renegociar o Tratado Orçamental Europeu, que pretende sanear a crise do euro, acrescentando-lhe medidas que promovam o crescimento económico. No entanto, a chanceler alemã já hoje fez saber que «o pacto orçamental não é negociável».