A Avenida da Liberdade, em Lisboa, passou a ser zona residencial devido à procura de casa por cidadãos chineses, enquanto a Comporta, em Grândola, é preferência de franceses, refere a consultora JLL numa análise ao investimento estrangeiro imobiliário em Portugal.

Em declarações à agência Lusa, Maria Empis, diretora de Pesquisa da JLL, notou que os compradores chineses centram-se em Lisboa, demonstrando preferência pelas «cidades novas e modernas».

De acordo com a responsável, inicialmente, os investidores chineses compraram casa no Parque das Nações através dos vistos gold, mas deixando de haver casas disponíveis na zona oriental da capital, intensificaram as compras na Avenida da Liberdade, por ser «glamorosa».

«Assistimos à transformação de alguns edifícios que estavam devolutos e que até podiam ter sido pensados para escritórios mas que estão a ser reconvertidos para residências porque esta zona está a ser muito procurada pelos estrangeiros», disse Maria Empis.


Os franceses, através do programa de residentes não habituais, estão também a procurar casas naquela zona, acrescentou.

A responsável comentou que a Avenida da Liberdade continua a ser a melhor zona de escritórios da cidade, mas a novidade é o aumento da sua tendência como área residencial, acrescentando que Lisboa lidera as preferências dos investidores do programa dos vistos gold, que, para aderirem ao programa, têm de comprar uma casa de pelo menos 500 mil euros.

Já o Algarve «é muito tradicional para os ingleses e irlandeses, estando a procura a aumentar bastante» pelos franceses, que também se instalam em «Tróia e Comporta», com a especialista a lembrar que estes cidadãos procuram alternativas face à «maior instabilidade política e social no Norte de África», uma zona que tradicionalmente preferiam por razões históricas.


Segundo os últimos dados, fornecidos pela Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), 1.777 das 2.203 Autorizações de Residência para atividades de Investimento (ARI-vistos 'gold') foram atribuídas a chineses, entre 2012 (ano em que se iniciou o programa) e fevereiro de 2015.

No total, foram investidos mais de 1,3 mil milhões de euros, dos quais 1,2 mil milhões de euros em aquisições de imóveis, traduzindo 2.088 autorizações de residência. As ARI incluem também transferência de capitais e criação de postos de trabalho.

Segundo a associação, os maiores investidores neste programa são chineses, seguidos de brasileiros, russos, sul-africanos e libaneses.

Luís Lima, presidente da APEMIP, fez eco da preferência dos chineses por Lisboa, acrescentando que, no geral, os britânicos são quem mais procura o país para compra de imóveis.

«No entanto, regra geral, não vêm ao abrigo de qualquer programa (nem ARI, nem Regime Fiscal para Residentes Não Habituais)», notou.

A procura dos britânicos centra-se na região do Algarve, pois «a maior parte são aposentados que procuram uma residência num país mais barato, mais seguro e com um clima mais agradável» e o objetivo é a compra para usufruto, mas «começa já a verificar-se o interesse por imóveis que permitam retorno de investimento».


A procura dos vistos gold deverá ainda aumentar este ano, defendeu Manuel Reis Campos, da Associação dos Industriais dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), lembrando o alargamento do programa, aprovado em Conselho de Ministros, a investimentos à reabilitação urbana, atividades de investigação ou apoio à produção artística e cultural e a majoração dos projetos realizados em territórios de baixa densidade.