O Governo vai apresentar a remodelação que se exige depois da demissão de três secretários de Estado já esta quinta-feira, ao Presidente da República. António Costa anunciou, no debate do Estado da Nação, a decorrer esta tarde no Parlamento, que vai apresentar os novos nomes do Executivo na reunião com Marcelo Rebelo de Sousa.

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, voltou a insistir na demissão da ministra da Administração Interna e do ministro da Defesa, por causa de Pedrógão e Tancos, respetivamente. O primeiro-ministro disse que era simples responder:

Obviamente não demito nenhum ministro. E tudo o que qualquer ministro ou ministra fizer ser sempre responsabilidade minha"

A líder centrista tinha acabado de acusar Costa de que "não tem um governo, tem uma sucessão de casos de ministros" que o primeirl-ministro "desconsidera e ultrapassa num dia e segura no outro". 

Tem a oportunidade de remodelar profundamente o seu Governo e reatar confiança dos portugueses no Estado. Diga-nos, finalmente, cara a cara, vai demitir MAI e ministro da Defesa Nacional? Se nada fizer, se se mantiver tudo como está, tudo, tudo o que acontecer nestas áreas é assacado a si diretamente, não tem para-raios, responsabilidade sua e só sua".

O PSD também usou estes casos polémicos no ataque político, constatando que "o Governo está a colapsar". Passos Coelho acusou mesmo o Executivo de "desfilar pelo palco da tragédia de Pedrógão", acompanhado pela geringonça, como se não fosse nada de grave. O principal partido da oposição chamou ainda a si o mérito pelos bons resultados económicos.

Nova secretaria de Estado 

O primeiro-ministro anunciou que será dedicada à habitação, com o objetivo de promover arrendamento acessível para a classe média, sobretudo para os mais jovens.

"A habitação nova área prioritária nas políticas públicas. Por isso, amanhã apresentarei ao Presidente da República a autonomização da habitação como secretaria de Estado", disse António Costa aos deputados.

Para que a classe média e novas gerações não tenham de sair dos centros urbanos e tenham arrendamento acessível. Faremos um ajustamento governativo que apresentarei amanhã ao Presidente da República"

Quanto à remodelação governativa, para além de secretários de Estado Rocha Andrade  (Assuntos Fiscais), Indústria (João Vasconcelos) e Internacionalização (Jorge Costa Oliveira), mais dois secretários de Estado podem estar de saída do Governo. 

Carolina Ferra, que tem a pasta da Administração Pública, e Miguel Prata Roque, da presidência do Conselho de Ministros. O primeiro-ministro estará a aproveitar a saída dos três membros demissionários do Executivo para efetuar uma remodelação mais ampla, mas que não afetará os ministros.

BE e PCP ao lado do Governo contra a direita

Tanto o Bloco de Esquerda como o PCP tiveram como alvo principal PSD e CDS neste debate, sinal de que os acordos políticos celebrados com o Governo estão de boa saúde para a negociação do Orçamento do Estado para 2018. Ainda assim, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa erguem a bandeira da exigência e da fiscalização das políticas do Executivo socialista. 

A coordenadora do BE fez uma lista dos investimentos que teriam sido possíveis, se Portugal não tivesse de agradar a Bruxelas. 

Há uma diferença de 1600 milhões de euros entre o défice necessário para sair do PDE e o défice registado efetivamente. Para que o ministro Mário Centeno fosse elogiado por Schauble houve 1600 milhões de euros a menos de investimento onde era urgente fazê-lo”.

Catarina Martins considerou que cativações são "poupanças forçadas e escusadas". Ainda assim, faz um balanço positivo do estado da Nação: “Um ano depois do último debate, a resposta às pessoas provou-se na resposta à economia: crescimento económico, criação de emprego, um país com mais confiança”,.

Com bateria mais apontadas a PSD e CDs-PP, disse que interessa "pouco a excitação da Direita perante cada divergência na maioria parlamentar". 

Compreendemos que a Direita ficou sem programa, por falta de coragem para exigir agora os cortes que sempre quis fazer. O diabo só chegou ao PSD e ao CDS, que parecem ensombrados perante um acordo de avanços que está a ser cumprido, ponto por ponto".

O secretário-geral do PCP, por sua vez, continua a classificar o estado da Nação como  "nova fase da política nacional", depois do "estrondoso desastre" das políticas de direita.

A situação melhorou, mas ainda não chega e o PS continua colado a algum direitismo. "Portugal precisa de continuar [este no caminho contrário], por muito que Comissão Europeia e FMI proclamem ruinoso programa de resgate e falsas reformas estruturais". 

Geringonça para continuar

O presidente do PS e líder parlamentar da bancada socialista, Carlos César, fez questão, a seguir, de salientar que os resultados conseguidos até agora tiveram contributo dos partidos mais à esquerda.

Com eles [BE, PCP e PEV] partilhamos o entusiasmo por uma mudança mais intensa e deles não nos distinguimos por menor ambição. Continuaremos a trabalhar para cumprir programa de Governo e garantir estabilidade política e social".

Os próximos desafios para o equilíbrio político da chamada geringonça são, já amanhã, a reação à remodelação do Governo, as respostas à tragédia de Pedrógão e ao caso Tancos e, claro, a negociação do Orçamento do Estado para 2018, a apresentar em outubro. Precisará de consenso entre PS, BE, PCP e PEV para haver garantia de que é aprovado no Parlamento.

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