A Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012 gerou 85 milhões de euros para o Produto Interno Bruto, um valor «excelente», mas que «não reflete» o «sucesso total», que, «ainda assim», teve «alguns flops», segundo o organizador João Serra.

O presidente da Fundação Cidade de Guimarães, que falava esta quinta-feira na apresentação do estudo da Universidade do Minho (UMInho) sobre os impactos de Guimarães 2012, apontou como «maior sucesso» de Guimarães 2012 o «fortíssimo envolvimento da comunidade».

O referido estudo sobre a Capital Europeia da Cultura (CEC) confirma que o evento teve um «forte impacto» no turismo da cidade e que houve um «aumento significativo» do volume de negócios em 2012, comparando com 2013.

Segundo as contas da UMinho, Guimarães 2012 originou receitas fiscais de 30,8 milhões de euros, mais 3,6 milhões do que o investimento público no projeto e confirma que o evento 2012 «não constituiu um ónus financeiro para o Estado português, contribuindo adicionalmente para minorar o impacto da recessão económica na região envolvente».

Desenvolvido pelo Instituto de Ciências Sociais e pela Escola de Economia e Gestão da academia minhota, o estudo aponta que «a despesa adicional estimada associada ao turismo foi de 12,36 milhões de euros e um contributo de Guimarães 2012 para o PIB português da ordem dos 85 milhões de euros».

Em termos fiscais, «considerando os impactos sobre a fiscalidade direta (IRS e IRC), o IVA resultante das despesas iniciais e os impactos sobre as contribuições para a Segurança Social, Guimarães 2012 teve um resultado global positivo superior a 3,6 milhões de euros».

Apesar de, «no final das contas», os indicadores económicos serem «muito positivos», João Serra admitiu que o projeto teve «flops» (falhas) que podiam «ter posto em risco» o sucesso do evento.

«Houve erros, nomeadamente na escolha dos lemas de Guimarães 2012. O primeiro lema (Em Guimarães tudo acontece) e o segundo (Tudo se transforma) não foram bem aceites e não colheram simpatias junto dos próprios vimaranenses. Mas o terceiro lema (Tu Fazes Parte) mudou todo o processo», apontou.

Este novo lema, disse João Serra, foi o «mote» para um dos maiores sucessos da Capital Europeia da Cultura (CEC), «o incrível envolvimento da comunidade no projeto».

Opinião espelhada pelos números apresentados pela UMinho, que apontam que dois em cada três vimaranenses (cidade e freguesias) foram a pelo menos um evento da CEC e o «coração» de Guimarães 2012 (emblema do evento) «foi totalmente adotado por toda a cidade».

Guimarães 2012 teve também «forte impacto» no Turismo e Comercio da cidade, o número de dormidas em hotel aumentou 43 por cento face ao ano de 2011 e as taxas de ocupação por quarto a cresceram até 34 por cento, o que permitiu um aumento de 2,3 milhões de euros adicionais em relação a 2011.

Quanto ao comércio, o estudo revela que um em cada cinco empresários admite ter feito investimentos para preparar o negócio para aquele ano e que houve um «aumento no volume de negócios em 2012, face a 2011, para quase 80 por cento».

Apesar se ter sido apresentada uma análise económica de Guimarães 2012, João Serra lembrou que «o sucesso de Guimarães 2012 não está nestes números», mas que os valores referidos «deixam uma prova» à Europa.