A Câmara de Matosinhos decidiu hoje instaurar uma providência cautelar contra a privatização da Metro do Porto por incumprimento do contrato entre o Governo e a anterior Junta Metropolitana, desafiando municípios e Conselho Metropolitano a juntarem-se à ação.

Esta decisão foi transmitida aos jornalistas pelo presidente da Câmara de Matosinhos, o independente Guilherme Pinto, no final da reunião privada do executivo, onde foi aprovada, apenas com o voto contra do PSD, uma proposta de resolução apresentada pelo vereador da CDU, José Pedro Rodrigues, contra a privatização ou concessão a privados da Metro do Porto e da STCP.

«A Câmara de Matosinhos decidiu instaurar uma providência cautelar contra a decisão da privatização da Metro do Porto porque considera que o Governo não pode dar este passo sem primeiro responder à Área Metropolitana do Porto as razões do incumprimento que o contrato assinado entre a anterior Junta Metropolitana e o Governo sofreram», disse.

Segundo Guilherme Pinto, no mandato anterior, a então Junta Metropolitana do Porto «decidiu entregar ao Governo a maioria do capital social», apresentando como condições que o Governo viesse a financiar os investimentos que a empresa fez na altura da expansão da rede e que o Metro do Porto fosse ampliado, não tendo ambas sido cumpridas.

«Vamos intentar um procedimento cautelar para impedir este negócio porque não estão reunidas as condições contratuais para que o Governo se continue a arvorar como detentor da maioria de capital na Metro do Porto e vamos convidar outros municípios, se o entenderem, a juntar-se a nós ou até o Conselho Metropolitano a substituir-se à Câmara de Matosinhos para o fazer», adiantou.

Sobre a STCP, o presidente da Câmara de Matosinhos garantiu que a autarquia vai «procurar inteirar-se de quais são as intenções porque neste domínio isto é uma nublosa», antecipando que vai pedir uma reunião com o Governo «porque infelizmente as pessoas que estão na STCP não riscam nada».

Para o independente, «o que se está a passar hoje é demasiado grave para que as vozes do Norte não se façam ouvir» considerando que «estar em silêncio neste momento é pactuar com uma estratégia que é de ataque aos interesses do Norte».