O Presidente da República terá de nomear um novo presidente do Tribunal de Contas, sob proposta do Governo, depois da demissão de Guilherme d’Oliveira Martins, segundo previsto na Constituição da República portuguesa.

De acordo com o artigo n.º133 da Constituição, "compete ao Presidente da República (…) nomear e exonerar, sob proposta do Governo, o presidente do Tribunal de Contas".

Guilherme d'Oliveira Martins apresentou  ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, o pedido de exoneração do cargo de presidente do Tribunal de Contas, com efeitos a partir de 01 de novembro.

Guilherme d'Oliveira Martins deixa o Tribunal de Contas para assumir o cargo de administrador executivo da Fundação Calouste Gulbenkian, substituindo Marçal Grilo, ex-ministro da Educação no governo socialista de António Guterres com quem trabalhou, durante o mesmo governo, como secretário de Estado da Administração Educativa.

Como presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d'Oliveira Martins assumiu também a presidência do Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC), considerando que a corrupção é um "flagelo das sociedades contemporâneas" que deve ser combatido com maior investigação criminal, reforço nas leis e maior participação cívica.

Guilherme d'Oliveira Martins defendeu também que a criminalização por enriquecimento ilícito deve ter em conta o princípio do "fiel depositário", responsabilizando quem tem a cargo dinheiros públicos.

Durante o segundo mandato (desde 2013), Guilherme d'Oliveira Martins destacou ainda o trabalho do Tribunal de Contas na investigação às Parcerias Público-Privadas (PPP) rodoviárias, depois de a instituição ter auditado vários contratos de PPP, com várias críticas.

Nascido em Lisboa em 1952, Guilherme d' Oliveira Martins licenciou-se em Direito e foi assistente na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, entre 1977 e 1985.