O presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d’Oliveira Martins, disse esta quinta-feira que a instituição acompanha «muito de perto todo este processo» relativo ao BES e ao Grupo Espírito Santo, mas escusou-se a comentar o relatório preliminar parlamentar.

«Nenhum comentário, até porque o Tribunal de Contas (TdC) tem jurisdição sobre o Fundo de Resolução e está a acompanhar muito de perto todo este processo», disse, quando questionado pela agência Lusa, à margem de uma aula aberta que ministrou hoje numa escola de Évora.

Assim, sobre o relatório preliminar da comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES), que está hoje a ser apresentado na Assembleia da República, Guilherme d’Oliveira Martins considerou ser «prematuro qualquer comentário» da sua parte, pois o TdC «terá a última palavra neste domínio» do BES.

Guilherme d’Oliveira Martins, na qualidade de presidente do Conselho de Prevenção da Corrupção, falava à Lusa à margem da aula aberta que deu hoje na Escola Secundária Severim de Faria, em Évora.

A iniciativa, intitulada «Prevenir o Futuro», foi organizada pelo Conselho de Prevenção da Corrupção em parceria com a Rede de Bibliotecas Escolares do Ministério da Educação e Ciência, destinando-se aos alunos das várias escolas secundárias da cidade alentejana.

O relatório preliminar da comissão de inquérito sobre o BES e o GES esta hoje a ser apresentado pelo relator Pedro Saraiva (PSD), numa sessão que durará várias horas e na qual o deputado será questionado pelos diferentes partidos em dois blocos de perguntas.

Posteriormente, e até dia 23, serão apresentadas as propostas de alteração dos partidos ao relatório preliminar, e no dia 29 de abril o texto final terá de estar pronto.

A comissão foi proposta pelo PCP - e aprovada por unanimidade dos partidos - e teve a primeira audição a 17 de novembro do ano passado, tendo sido escutadas dezenas de personalidades, entre membros da família Espírito Santo, gestores das empresas do grupo, reguladores, supervisores, auditores e agentes políticos, entre outros.

O objetivo do trabalho dos parlamentares é «apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades».