Dezenas de trabalhadores da CaetanoBus (Grupo Salvador Caetano) voltaram a cumprir uma hora de greve e a concentrar-se frente à empresa, esta terça-feira, exigindo aumentos nos vencimentos e o fim das diferenças salariais, disse à Lusa fonte sindical.

Em declarações à Lusa, o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte (Site-Norte) Luís Pinto, disse que na semana passada realizou-se uma reunião com a administração da empresa, mas “não houve respostas concretas” às pretensões dos trabalhadores.

“Até à data não houve da parte da administração qualquer abertura para ir ao encontro das reivindicações dos trabalhadores, que reclamam aumentos assalariais para todos. O que aconteceu foi que deram aumento a uns e a outro não”, disse.

Para Luís Pinto, “há aqui uma discriminação que os trabalhadores não podem aceitar, por isso continuam a luta, pelo menos, até ao fim do mês”, estando já previstas paralisações de uma hora nos próximos dias 19, 24, 25 e 31. Os trabalhadores realizaram já durante o mês de abril várias períodos de greve com os mesmos objetivos.

Contactada pela agência Lusa, a administração da CaetanoBus informou que a sua posição se mantém, ou seja “não vai satisfazer as reivindicações” dos grevistas, considerando que estas “são impraticáveis e iriam agravar as diferenças salariais por categoria”.

De acordo com o dirigente do Site-Norte,“a empresa comprometeu-se com a Comissão de Trabalhadores que em 2016 haveria aumentos salariais para todos, mas 60% dos trabalhadores não teve qualquer aumento, enquanto alguns receberam mais 10 cêntimos, outros 50 cêntimos e algumas chefias 50 euros”.

Por outro lado, disse, mantêm-se na CaetanoBus “diferenças salariais nas mesmas categorias”, defendendo o sindicato que seja feita uma uniformização.

Em comunicado enviado à Lusa em meados de abril, a administração da CaetanoBus refere que “a política salarial cumpre a lei e o clausulado nas convenções coletivas de trabalho [CCT]”, situando-se “em média os salários da empresa acima das tabelas do CCT”.

A CaetanoBus rejeita as pretensões dos grevistas, assegurando que “por via do método proposto os aumentos iriam incidir maioritariamente sobre os salários mais altos de cada categoria, o que é uma flagrante contradição com o repetido discurso do sindicato e da Comissão de Trabalhadores”.

A empresa do grupo Salvador Caetano, especializada no fabrico de carroçarias e autocarros, sustenta que a revisão salarial efetuada este ano “teve também como objetivo a redução das diferenças de salários por categoria profissional, pelo que foram maioritariamente aumentados os trabalhadores com menor rendimento dentro de cada categoria”.

“O salário – como é normal – reflete o desempenho individual de cada trabalhador e considera as características de cada função e a sua execução, mediante variáveis como quantidade e qualidade do trabalho, a natureza do mesmo, o absentismo, entre outras. A empresa lamenta que os benefícios sociais atribuídos aos trabalhadores, nomeadamente o acesso gratuito a serviços de saúde e comparticipação das mesmas despesas incluindo o agregado familiar do trabalhador, sejam ignorados pelos sindicatos”, refere a administração.