As viagens através da TAP estão a decorrer normalmente este sábado, primeiro dia da greve contra a privatização da companhia aérea. Três sindicatos mantêm o pré-aviso de greve, mas disseram que iam cumprir a requisição civil decretada pelo Governo, ainda que sob protesto. Os restantes nove acabaram por desconvocar a paralisação prevista de 27 a 30 de dezembro, ainda na véspera de Natal, e enviaram uma nota aos seus associados, garantindo que os trabalhadores vão ter uma palavra a dizer sobre o futuro da empresa, no âmbito daquilo que foi acordado com o Governo.

Espreitando a página da ANA – Aeroportos de Portugal, podemos verificar que, pelas 10:30, os voos da TAP programados estavam a ser cumpridos, sem haver referência a qualquer ligação cancelada.

Logo ao início da manhã, a Lusa constatou no aeroporto de Lisboa a inexistência de qualquer perturbação à operação da companhia liderada por Fernando Pinto, apesar de três sindicatos terem mantido os pré-avisos de greve contra a intenção do Governo de vender até 66% do grupo TAP.



Apesar disso, afirmaram que acatariam a requisição civil decretada pelo Governo e na sexta-feira. O SINTAP e o SITAVA reforçaram a decisão, apelando aos funcionários da TAP que se apresentem ao serviço durante o período de greve, sendo que o SITAVA aguarda ainda pela decisão do tribunal sobre o pedido de impugnação da requisição civil decretada pelo Governo.

A poucas horas do início da greve, a companhia aérea disse esperar que os voos decorressem com «normalidade» e é, para já, o que se está a verificar. Ainda assim, a transportadora perdeu 18 mil reservas, o que representa um prejuízo de seis milhões de euros. Apenas conseguiu recuperar cerca de duas mil. 

Na quarta-feira, o Governo aceitou discutir com os sindicatos as condições para manter a TAP em Portugal por dez anos após a privatização da empresa, segundo um memorando assinado pelo executivo e pelos nove sindicatos da TAP que desconvocaram a greve.

A decisão de relançar a privatização da companhia aérea, suspensa em dezembro de 2012, acendeu uma onda de contestação que culminou com a marcação desta greve por uma plataforma que juntou 12 sindicatos, à qual o Governo respondeu com a imposição de uma requisição civil aos trabalhadores da TAP, para minimizar o impacto da paralisação sobretudo a pensar nas famílias que se encontram no Natal.