O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) estima que as perdas diretas dos dez dias da greve na TAP, convocada para maio, não ultrapassam os 30 milhões de euros, menos de metade do valor avançado pela companhia,  70 milhões de euros.

Numa carta enviada aos associados, a que a Lusa teve acesso, o SPAC acusa o Governo e a TAP de terem desencadeado uma "ofensiva de propaganda" para desmobilizar os pilotos, nomeadamente ao nível dos custos para a empresa da paralisação entre 1 e 10 de maio.

O presidente da TAP recusou-se a comentar a contradição entre as estimativas das perdas feitas pelo sindicato dos pilotos e pela empresa, considerando que “30 ou 70 milhões de euros são valores de extrema importância” para a companhia.

Segundo o SPAC, em maio, o valor médio diário das vendas de passagens é de 6,6 milhões de euros, mas, contrapõe, o grupo não perde a totalidade deste valor com a paralisação, dado que cerca de 25% dos passageiros alteram oportunamente as suas reservas para outros períodos, mais de 20% são reencaminhados para outras empresas, são realizados serviços mínimos e o grupo não suporta custos diários com o combustível que rondam 1,3 milhões de euros por dia.

"Ou seja, o custo médio diário com a paralisação não excede três milhões de euros", o que, no conjunto dos dez dias, faz com que as perdas diretas não ultrapassem 30 milhões de euros, deixando o valor da tesouraria acima dos 40 milhões indicados pela administração como o valor mínimo para evitar ruturas, argumenta o sindicato na carta enviada aos associados.

Fonte oficial da transportadora aérea avançou que uma eventual greve de dez dias teria "um impacto brutal" para a TAP, com um custo avaliado em pelo menos 70 milhões de euros, a que acrescem valores "não quantificáveis", que têm a ver com a "confiança do mercado, montante que não é quantificável".

Na carta aos associados, o SPAC acrescenta aos pilotos que, "naturalmente, a paralisação esgota a margem da administração para continuar a delapidar os recursos financeiros do grupo com a intensidade a que se habituou nos últimos anos".

"No entanto, há sempre a alternativa mais racional e responsável de a TAP e o Governo evitarem este prejuízo, honrando os compromissos que assumiram perante o SPAC e os pilotos", realçam, referindo o pagamento de diuturnidade (acréscimo remuneratório alcançado em função da antiguidade) e o direito a uma participação de até 20% no capital social da transportadora no âmbito da privatização.

A reação do presidente da TAP aconteceu depois de Fernando Pinto ter sido recebido pelo Presidente da República, Cavaco Silva, no Palácio de Belém. O responsável sublinhou que “30 ou 70 milhões de euros [de perdas diretas] são valores de extrema importância para uma empresa”, acrescentando que depois há os custos não quantificáveis das greves.

“Temos que pensar no serviço, porque não faz sentido obrigar os nossos clientes a procurar outras companhias.”