Vai haver uma reunião a 7 de setembro para tentar desbloquear a tensão na Autoeuropa, relativamente aos novos horários que a empresa pretende impor aos trabalhadores, revelou a comissão de trabalhadores.. Tensão que culminou na primeira greve de sempre na empresa, que labora há 26 anos. A paralisação está a ser cumprida esta quarta-feira e a fábrica está parada.

No encontro que terá lugar na próxima quinta-feira, participarão a administração da Autoeuropa, a comissão sindical e o Sitesul, sindicato mais representativo da empresa de fabrico de automóveis da marca Volkswagen, e que é afeto à CGTP.

É uma vitória dos trabalhadores, os trabalhadores pretendem ser ouvidos e ver a sua reunião respeitada. O sindicato está disposto a discutir qualquer proposta desde que vá de encontro ao que os trabalhadores sempre reivindicaram: a conciliação do trabalho com a vida familiar", disse à TVI24 um dirigente sindical. 

 

Os cerca de 3.000 trabalhadores que participaram nos plenários realizados na segunda-feira aprovaram uma resolução a confirmar a rejeição dos novos horários, particularmente pela imposição do trabalho aos sábados.

As compensações financeiras prometidas pela administração da Autoeuropa pela implementação dos novos horários, que incluíam aumentos salariais, um adicional de 175 euros por mês e mais um dia de férias, não foram suficientes para demover os trabalhadores da Autoeuropa.

Tal como o que se passou no turno da manhã, no que acabou às 15:30 o balanço é, igualmente, de paralisação total. A greve começou às 23:30 de terça-feira e termina às 00:00 de quinta-feira.

O sindicato assegura que também quer que "a empresa cresça e que empregue mais trabalhadores e continue a ser uma grande empresa como sempre foi". Daí que a abertura da administração para negociar seja bem-vinda. Os trabalhadores receberam também apoio por parte dos trabalhadores na Alemanha perante o dia histórico que assinalam hoje. 

A administração vai emitir um comunicado pelas 17:30.

Esta greve sem precedentes é criticada pelo ex-dirigente do BE e da comissão de trabalhadores da empresa António Chora, numa entrevista publicada na edição desta quarta-feira do Negócios. Chora acusou o PCP de estar por detrás da paralisação para ganhar margem de manobra nas negociações orçamentais com o Governo. Um "assalto ao castelo", como lhe chamou.