O ministro da Economia, António Pires de Lima, defendeu esta sexta-feira ser importante que Portugal “não fique refém da obsessão dos pilotos da TAP”, porque “há um país para além da direção dos sindicatos” da empresa.

"Acho que é muito importante que o país não fique refém da obsessão dos pilotos da TAP", disse o ministro aos jornalistas, após ter participado na cerimónia de inauguração da ExpoBarrancos - Feira do Presunto e dos Enchidos, a decorrer até domingo naquela vila do distrito de Beja, no Alentejo.

Após ter sido questionado pelos jornalistas sobre a greve dos pilotos da TAP, Pires de Lima escusou-se a falar sobre o assunto e disse: "Estou aqui para valorizar aquilo que é de Barrancos e, francamente, querendo eu valorizar aquilo que é de Barrancos e o que em Barrancos se faz de excecional, vou passar ao lado das obsessões do sindicato dos pilotos da TAP".

“Aquilo que é importante demonstrar hoje aqui é que há um país para além da direção dos sindicatos da TAP e um concelho, Barrancos, que produz produtos de excecional qualidade.”


As declarações do ministro surgem depois de o próprio ter confirmado na quinta-feira que o Governo não vai decretar requisição civil para a greve dos pilotos da TAP.

Em dezembro, quando esteve marcada outra greve, o Governo decretou a requisição civil, mas a greve foi desconvocada. Agora, o Executivo entende não haver os mesmos fundamentos que permitam a mesma ferramenta legal. 


Os pilotos da TAP marcaram uma greve, entre 1 e 10 de maio, por considerarem que o Governo não está a cumprir o acordo assinado em dezembro de 2014, nem um outro, estabelecido em 1999, que lhes dava direito a uma participação no capital da empresa no âmbito da privatização.

O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) anunciou, na quinta-feira, que 90% dos pilotos quer aderir à greve, considerando que é um reflexo do sentimento de revolta dos trabalhadores.

O comunicado do sindicato surgiu depois de ter sido noticiado, também na quinta-feira, que cerca de 30% dos pilotos não encontram fundamento para o protesto aprovado na reunião do dia 15, em defesa de garantias laborais perdidas durante a crise.