O ministro da Economia, António Pires de Lima, disse que não há nada a modificar no acordo assinado com nove sindicatos relativamente ao caderno de encargos da privatização da TAP e acredita no bom senso dos pilotos.

«Acordámos os que tínhamos de acordar. O nosso compromisso é respeitar o acordo que fizemos em dezembro, não há nada a modificar relativamente a este acordo», disse Pires de Lima, escusando-se a responder diretamente se pondera sentar-se com os pilotos, para tentar evitar a greve.

O Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil (SPAC) entregou um pré-aviso de greve, entre 1 e 10 de maio, que, segundo Pires de Lima, a realizar-se, «vai causar um grande dano à economia portuguesa, nomeadamente ao setor do turismo».

«Tenho a esperança de que conhecendo melhor a situação e percebendo o impacto de que este pré-anúncio está a ter na opinião pública, os pilotos reconsiderem. Eu quero acreditar que não vai acontecer uma greve que seria de um dano tremendo para a TAP e muito mau para a economia», reforçou, quando questionado sobre as reuniões que vão decorrer entre pilotos e o presidente da transportadora aérea durante estes dias.

Sobre a possibilidade de uma requisição civil, o ministro da Economia nada disse, apenas que não quer especular sobre essa matéria.

Pires de Lima centrou parte do seu discurso durante a cerimónia de encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Portugal na questão das privatizações e portos de Portugal, lembrando que a transportadora aérea portuguesa realiza quase 90 voos semanais e presta «um serviço de interesse estratégico nos dois países», sendo a «maior transportadora da Europa para o Brasil», «mais do dobro das frequências aéreas do que a segunda ou a terceira companhias aéreas que voam para o Brasil juntas».

O ministro falou da «junção de vontades» dos dois países, e deu a biotecnologia, a aeronáutica, os centros de serviços partilhados, as tecnologias de informação e as energias renováveis como áreas de mais parcerias.

«Destaco o programa de privatizações em curso em Portugal, com particular destaque para a TAP, CP Carga, EMEF e o novo terminal de contentores do Porto de Lisboa a lançar muito em breve», disse.

Questionado sobre se estava a lançar um «piscar de olhos» às empresas brasileiras, Pires de Lima disse: «Não se tratou de um piscar de olhos, apenas de dar nota da importância estratégica da TAP».

Entre os candidatos à privatização da TAP estão as brasileiras GOL e AZUL.