Cerca de 70 trabalhadores da Valorlis, empresa de tratamento de resíduos sólidos do distrito de Leiria, estão em greve desde o dia 13 para exigir aumentos salariais segundo o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional (STAL).

Segundo o dirigente sindical do STAL Manuel Pereira, nos dias 13, 14 e 15 "ninguém efetuou trabalho extraordinário" e hoje, os funcionários estão em greve durante 24 horas.

Todas as pessoas que trabalham na triagem estão em greve e não entrou nem saiu nenhum carro do aterro", salientou Manuel Pereira.

Dos cerca de 120 trabalhadores que laboram na Valorlis, "cerca de 70 fizeram greve" e "alguns foram requisitados para cumprir os serviços mínimos", referiu o mesmo dirigente, considerando, contudo, que essa medida "não se justifica, já que não se trata de lixo tóxico".

Num comunicado enviado à Lusa, a Valorlis contraria os números e refere que a adesão à greve "é de apenas 26%, considerando todas as instalações da empresa", dados relativos ao período entre as 00:00 e as 13:00. "Os números finais serão conhecidos após as 23:00", acrescenta a empresa.

A Valorlis revelou ainda que "apesar da fixação de serviços mínimos pelos ministérios do Ambiente e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, a empresa foi hoje, lamentavelmente, impedida pelo piquete de greve de cumprir os serviços mínimos legalmente definidos".

Os funcionários exigem aumentos salariais imediatos de 50 euros.

Os trabalhadores estão convictos que de outra forma não vão conseguir os seus objetivos e vão continuar a lutar até que os aumentos cheguem. Há pessoas aqui a ganhar o salário mínimo há dez anos e foram distribuídos dez milhões de euros de lucros pelos administradores, valores que foram obtidos com o esforço dos trabalhadores que tiveram os salários congelados", lamentou Manuel Pereira.

Em comunicado, o STAL refere que os funcionários exigem ainda a "negociação e a aplicação à Valorlis do AE - acordo de empresa da Amarsul e Valorsul (Grupo EGF)".

Segundo o STAL, nos últimos anos "os trabalhadores da Valorlis viram os seus rendimentos do trabalho duramente atacados por políticas de austeridade e destruição de serviços e direitos", situação que pretendem ver "mudada".

A Valorlis já não se encontra abrangida pelas normas do Orçamento do Estado que impediram a valorização salarial dos trabalhadores, sendo da mais elementar justiça o aumento imediato dos salários. A Mota-Engil/Suma, que controla a EGF, à qual pertence a Valorlis, mantém os salários congelados, embora a Valorlis já não seja do Estado", realça o STAL, numa nota de imprensa.

O sindicato "repudia a atitude anti dialogante da administração", o que levou os trabalhadores a avançar com a greve.

Os trabalhadores da Valorlis "exigem que os lucros da empresa sejam refletidos na melhoria das suas remunerações, com vista à recuperação do poder de compra perdido nos últimos anos".

Segundo a Valorlis, "ao longo dos últimos meses constituiu preocupação prioritária a avaliação da situação encontrada, após a privatização, relativamente aos recursos humanos".

Neste sentido, "foram implementadas um conjunto de medidas que, apesar de acarretarem relevantes impactos financeiros, foram entendidas como essenciais e urgentes para a valorização dos trabalhadores", nomeadamente, "a eliminação de todos os cortes salariais vigentes e a reposição integral das remunerações de todos os trabalhadores".

A nota de imprensa acrescenta ainda que foram integrados 33 trabalhadores nos quadros da empresa e a "harmonização dos montantes atribuídos a título de subsídio de refeição para todos", assim como o "reconhecimento e valorização da antiguidade de cada trabalhador previa ao processo de privatização".

A Valorlis informa que desde o início manteve uma politica de diálogo, recebendo sempre os sindicatos, tendo implementado medidas que vão ao encontro a vários dos pontos apresentados pelo STAL na carta reivindicativa apresentada a 4 de fevereiro de 2016."