A extração e a produção de minério estão "paradas" nas minas de Aljustrel, no Alentejo. Tudo por causa da greve dos trabalhadores, com adesão "bastante signiicativa", segundo o sindicato. Esta quarta-feira cumpre-se o primeiro de cinco dias de paralisação.

Segundo disse à agência Lusa o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM) Jacinto Anacleto, desde o início da greve, hoje às 06:00, os serviços administrativos estão a funcionar, porque o pessoal dos escritórios não aderiu à paralisação, mas na área da laboração "só há serviços mínimos e pouco mais" . Por isso, o poço de extração e a lavaria estão "parados" e não estão a ser extraídos minérios, nem produzidos concentrados de cobre e zinco nas minas.

A greve abrange trabalhadores de três empresas, a concessionária das minas, a Almina - Minas do Alentejo, e outras duas que prestam serviços no complexo mineiro, a EPDM - Empresa de Perfuração e Desenvolvimento Mineiro e Urmáquinas.

Os trabalhadores em greve estavam hoje de manhã concentrados junto às entradas principais do complexo mineiro, a lavaria e o fundo da mina.

Reivindicações

Segundo o sindicalista, os trabalhadores exigem melhores salários, porque "os que se praticam nas minas de Aljustrel, de cerca de 600 euros, são muito baixos para quem trabalha 10 horas por dia no fundo de uma mina".

Por outro lado, disse, "nas minas de Aljustrel, não há um único mineiro a trabalhar, só há manobradores, condutores, auxiliares e serventes", porque "não existe a categoria de mineiro".

Sabemos que não existe para os trabalhadores não poderem progredir nas carreiras, porque se existisse os mineiros teriam de progredir na carreira e, naturalmente, os seus salários subiriam".

Os trabalhadores exigem também "respeito" pelas regras relativas a matérias de expressão pecuniária, como prémios e subsídios, melhores condições de saúde e segurança no trabalho, a "humanização" dos horários de trabalho na lavaria, a normalização das relações de trabalho e "o fim da repressão" sobre os trabalhadores, o direito à negociação e o reconhecimento por partes das empresas do STIM como sindicato representativo dos trabalhadores.

Segundo o sindicalista, "as administrações das três empresas têm recusado dialogar e negociar com o STIM, porque não lhe reconhecem legitimidade para representar os trabalhadores".

As administrações "sabem que os trabalhadores são sindicalizados no STIM e descontam a quotização sindical para o STIM, mas não lhe reconhecem legitimidade para representar os trabalhadores porque não querem dialogar, nem negociar com ninguém", disse, referindo que os trabalhadores e o STIM "não podem abdicar do direito à negociação".

Os trabalhadores estão em greve até domingo e vão avançar com novas formas de luta, incluindo novas greves, se as administrações das três empresas não se sentarem à mesa para negociar com o STIM"".

A realização da greve que começou hoje e termina no domingo foi decidida no plenário geral de trabalhadores das minas que decorreu no passado dia 18 de outubro, na sede do STIM em Aljustrel.

A Lusa tentou hoje contactar sem sucesso as administrações da Almina e da EPDM.

Contactada pela Lusa, a Urmáquinas, através do comercial Hélder Silva, disse que "a empresa não tem conhecimento de que qualquer trabalhador seu tenha aderido à greve" e, por isso, não vai prestar declarações sobre o assunto.