A TAP garante a realização de apenas 30 voos durante o dia de hoje das quase 300 ligações previstas, devido à greve de pilotos que se iniciou à meia-noite e que se prolonga até dia 10.

No seu site, a companhia aérea portuguesa disponibiliza já a lista dos voos que serão realizados: nos dez dias de greve estão garantidas um total de 276 as ligações pelos serviços mínimos (10% da operação durante o período), dos quais 30 se realizam hoje.

Os serviços mínimos decretados pelo Tribunal Arbitral do Conselho Económico e Social (CES) preveem a realização de voos para Açores, Madeira, Brasil, Angola, Moçambique e sete cidades europeias.

No entanto, a TAP informa também sobre os voos que “provavelmente não vão ser realizados”: no dia de hoje serão 33, nos primeiros três dias do período de greve (a única informação no site) serão pelo menos 86.

“É praticamente certo que não serão possíveis efetuar”, afirma a empresa, adiantando que os passageiros que reservaram estes voos “estão a ser contactados para encontrar as melhores alternativas possíveis”.

Ainda assim, a companhia aérea sublinha que “com uma média diária nos próximos dias de 296 voos, a realização da restante operação não contemplada pelos serviços mínimos vai depender da adesão dos pilotos à greve”.

Nesse sentido, os passageiros com voos marcados na TAP entre 01 e 10 de maio poderão só saber se têm viagem apenas com uma hora de antecedência, quando a companhia souber se os pilotos se apresentam ou não ao serviço.

Ainda assim, a empresa tem a convicção de que um conjunto grande de pilotos se apresentará ao serviço e, por isso, poderá ter uma operação mais alargada. Já o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) admite uma adesão à greve a rondar os 90%.

Os pilotos da TAP e da Portugália começaram esta sexta-feira à meia noite uma greve de dez dias, que deverá afetar cerca de 3.000 voos e 30.000 passageiros, por considerarem que o Governo não está a cumprir dois acordos que lhes davam garantias na privatização.

O SPAC acusa o Governo de desrespeitar dois acordos: um assinado em 1999 que conferia aos pilotos uma participação de até 20% na companhia aérea em caso de privatização, em troca de atualização dos salários (que o Governo diz que a pretensão não tem qualquer validade, remetendo para um parecer do conselho consultivo da Procuradoria-Geral da República); e o acordo de dezembro, que juntou nove sindicatos, mas que o SPAC diz que o Governo não pretende cumprir, o que é manifesto pelo facto de não ter incluído sanções ao incumprimento no caderno de encargos da privatização.

Neste acordo, o mais polémico é a reposição das diuturnidades (subsídio de senioridade), congeladas sucessivamente desde o Orçamento de Estado para 2011.

A TAP estima que a paralisação possa representar perdas diretas de cerca de 70 milhões de euros, já as contas feitas pelo SPAC não ultrapassam os 30 milhões de euros.

A paralisação tem sido muito criticada pelo Governo, que admite que estas perdas dificultem a privatização da empresa (e que represente uma reestruturação da TAP, levando a despedimentos), que tem apelado ao recuo do SPAC.