O primeiro-ministro lamentou esta quarta-feira a marcação de uma greve de 10 dias na TAP por parte do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil e avisou que a paralisação pode afetar o futuro da empresa. 

«Lamento profundamente esta situação e espero que ela possa ser revista por parte sindicato. O futuro da empresa pode estar em causa se o nosso processo de privatização não for bem sucedido. Devíamos estar todos a remar para o mesmo lado»


Passos Coelho sublinhou que a decisão do SPACc«hoca com o entendimento de vários sindicatos, incluindo o sindicato dos pilotos, assinaram com o governo», disse aos jornalistas, à margem de uma cerimónia sobre cultura no Centro Cultural de Belém. 

E recordou que houve sindicatos «que estiveram de boa fé e empenhados no processo negocial», esperando que eles «possam respeitar os entendimentos gerados». «O governo respeitou», fez questão de dizer. 

Já quanto a uma eventual requisição civil, à semelhança do que aconteceu depois do anúncio de greve em dezembro, na altura do natal e ano novo, o chefe de Governo disse que o executivo não teve oportunidade de analisar o assunto.

«Decretámos a requisição civil em dezembro em circunstâncias muito excecionais, muito excecionais»

«Não vou responder a essa questão [sobre se tomará a mesma decisão agora], porque o Governo nem sequer teve ainda ocasião de poder e discutir esta matéria. Portanto, não vou pré-anunciar coisa nenhuma e espero que não venham todos os dias fazer a mesma pergunta, porque não quero ter de dar sequer uma resposta a essa matéria»

A paralisação foi decidida esta terça-feira em assembleia, que contou com a participação de cerca de 500 pilotos da TAP, que mandataram a direção do seu sindicato para emitir um pré-aviso de greve dentro de um dia. 

Os pilotos manifestam a sua «disponibilidade para desconvocar a greve no exato momento em que sejam assegurados de forma inequívoca os direitos» que consideram não estar a ser respeitados. 

A transportadora aérea entende que os pilotos estão a escolher um «caminho perigoso» e teme «danos irreparáveis». O ministro da Economia revelou, por sua vez, ter sido apanhado de surpresa e pediu aos sindicatos que reconsiderem a decisão.