
O Governo remeteu esta quinta-feira para o final do mês um balanço da greve geral nos serviços do Estado, mas sublinhou a «sensação» de que a esmagadora maioria dos portugueses entende que a paralisação não resolve os problemas do país.
«O entendimento do Governo é que a greve hoje convocada pela CGTP é uma greve que nas atuais circunstâncias do país pouco resolverá relativamente aos problemas do país, pelo contrário não ajudará a resolver os problemas do país. A sensação que temos é que a esmagadora maioria dos portugueses tem exatamente essa noção também», afirmou o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Luís Marques Guedes.
Contudo, ressalvou, a greve é um direito e será sempre integralmente respeitado pelo Governo.
Antes, o secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, já tinha remetido para o final do mês, alegando não ter um registo de dados que permita o Governo avançar com qualquer estimativa no dia de hoje.
«Não podemos dar qualquer informação ou alimentar qualquer polémica», afirmou Hélder Rosalino, que falava na conferência de imprensa realizada no final da reunião semanal do Conselho de Ministros.
A este propósito, Hélder Rosalino recordou que a há cerca de uma semana foi produzido um despacho que determinava que «o Governo não iria proceder ao registo no próprio dia da greve da adesão dos trabalhadores que exercer funções públicas».
Este despacho, sustentou, decorre da circunstância de na última greve geral se ter verificado que o registo da paralisação produz resultados que «são susceptíveis de alimentar uma polémica que o Governo tenciona evitar» e não dão uma «veracidade e fiabilidade completa» dos números.
Assim, nesta greve geral optou-se por não se fazer esse registo e os dados apenas estarão disponíveis aquando do processamento de vencimentos. «Terá que ser registado um código que corresponde à falta por motivo de greve», adiantou o secretário de Estado da Administração Pública.
Depois, no final do mês cada um dos serviços deverá comunicar à direção geral do orçamento os dados de greve que tiverem sido registados. «No final do mês o Governo terá essa informação e irá divulgá-la», acrescentou Hélder Rosalino.
A CGTP até agora também não avançou com números sobre a adesão á greve geral, apesar de fazer para já um balanço positivo da paralisação.
«Estamos perante uma grande greve geral e saudamos particularmente todos os trabalhadores e trabalhadoras, nomeadamente os jovens», disse o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, em conferência de imprensa na sede da central sindical, em Lisboa.