
A Fenprof reconheceu esta quinta-feira que os números da adesão à greve geral no setor da educação estão longe daqueles que a estrutura sindical esperava, mas justifica-os com um contexto «extremamente delicado» de «pressões e medos instalados».
À porta do Liceu Passos Manuel, em Lisboa, onde um aviso numa folha A3 informa que a escola está encerrada por motivos de greve, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira recusou-se a dar números concretos da paralisação no setor da educação até ao momento, para evitar incorreções.
«O número de escolas encerradas é semelhante ao da greve geral de 24 de novembro. [Para] dizer o número global é ainda muito cedo, porque o facto de as escolas estarem encerradas dificulta o levantamento. [Dar] o número e a percentagem [de adesão] seria estarmos a avançar com números que não são corretos, e isso não queremos», declarou Mário Nogueira.
O sindicalista avançou, no entanto, que os números registados até ao final da manhã de hoje indicavam uma adesão à greve geral semelhante à da greve de 24 de novembro, tanto no que diz respeito a professores, como a trabalhadores não docentes.
Na altura, a Fenprof apontava para uma adesão nas escolas entre os 60 e os 85 por cento.
Mário Nogueira defendeu que a situação do país justifica uma maior adesão à greve de hoje, que considerou «importantíssima».
«Nós pretendíamos que a greve tivesse 100 por cento de adesão. Pensamos que as políticas criminosas que estão a ser desenvolvidas por este Governo no plano social e económico justificam, no mínimo, uma adesão de 100 por cento».
Para Mário Nogueira, a greve poderia ter uma expressão superior se os trabalhadores não se sentissem condicionados. «Temos consciência que esta é uma greve a ser desenvolvida num contexto extremamente delicado, em que as pressões são enormes, os medos se instalaram ou reinstalaram. O desemprego está aí e muita gente sente-se pressionada com isso», disse.
«Mas talvez seja dos momentos em que a greve é mais compreendida e em que as pessoas percebem que era inevitável, neste momento, não as medidas que estão em curso, mas esta luta, esta greve e, sobretudo, que ela continue», acrescentou o sindicalista.
A greve geral de hoje é a oitava convocada pela CGTP. O protesto surge contra o agravamento da legislação laboral, o aumento do desemprego e do empobrecimento e as sucessivas medidas de austeridade e ocorre quatro meses após a última greve geral.
Desta vez, a UGT não se junta ao protesto, ao contrário do que aconteceu a 24 de novembro de 2011 e de 2010, porque a central sindical liderada por João Proença assinou o acordo para a Competitividade, o Crescimento e o Emprego que está na origem da revisão da legislação laboral.