As greves de trabalhadores da CP – Comboios de Portugal vão causar «fortes perturbações» na circulação de comboios nos próximos cinco dias, prevendo-se para o final do dia de hoje atrasos e supressões.

De acordo com a Lusa, em comunicado, a CP informou que, por motivo da greve de dois dias (02 e 06 de abril) convocada pelo Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI), que se junta à greve ao trabalho em dia feriado do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Setor Ferroviário (SNTSF), «preveem-se fortes perturbações na circulação de comboios nos dias entre 02 e 06 de abril, inclusive».

A CP destaca que as perturbações são agravadas pela recusa de fixação de serviços mínimos pelo Tribunal Arbitral, nomeado pelo Conselho Económico e Social.

Na sequência das greves, a circulação deverá começar a ser afetada já hoje à noite, devendo os atrasos e supressões prolongar-se até terça-feira de manhã.

Na mesma nota, a CP promete «envidar todos os esforços para minimizar os impactos da greve no serviço de longo curso», tendo divulgado na página a lista de comboios dos serviços Alfa Pendular e Intercidades que espera realizar na quinta-feira e na sexta-feira.

Os revisores CP agendaram uma greve de dois dias para reclamar o cumprimento da decisão dos tribunais relativa ao pagamento dos complementos nos subsídios desde 1996, que ganha dimensões ao juntar-se à greve ao trabalho em dia feriado da SNTSF.

O presidente do SFRCI, Luís Bravo, explicou à Lusa que a CP foi condenada, em várias instâncias, a restituir os complementos que não foram pagos aos trabalhadores no subsídio de férias desde 1996 e no subsídio de Natal entre 1996 e 2003, estimando uma dívida de cerca de dez milhões de euros aos revisores e trabalhadores das bilheteiras.

Sem possibilidade de recurso, a CP e os representantes dos trabalhadores sentaram-se à mesa para chegar a uma acordo «para a empresa pagar essa dívida de forma gradual» e, em reunião a 18 de março, os representantes do SFRCI foram informados de que a proposta de acordo ainda não tinha sido enviada à tutela, o Ministério da Economia.

«Nesse mesmo dia, decidimos quebrar a paz social, no período da Páscoa, com dois dias de greve, porque nestes nove meses de negociação, a administração criou a legítima expectativa de que os trabalhadores iriam ser ressarcidos e pensávamos que a empresa estava a proceder de boa-fé», explicou à Lusa Luís Bravo, acrescentando que «o sindicato tentou tudo para evitar esta greve».