Ouviu o ministro das finanças grego citar Mario Draghi pode ser surpreendente, nos dias que correm. E foi mesmo isso que aconteceu, à entrada do Eurogrupo, esta quinta-feira, no Luxemburgo.

Yanis Varoufakis parafraseou o presidente do Banco Central Europeu para garantir que concorda que o euro tem de ter sucesso em todos os países da moeda única, Grécia inclusive: "Há algum tempo Mario Draghi disse que para o euro ter sucesso precisa de ter sucesso em todo o lado. Nós concordamos. Hoje vimos aqui apresentar as ideias do governo grego para substituir a discórdia, que nos custa tanto, com um consenso efetivo".

Mas enquanto no Luxemburgo, os dirigentes políticos reúnem-se para discutir o futuro, na Grécia, os depositantes retiram 2 mil milhões de euros de depósitos com receio desse futuro, que pode vir sem moeda única; uma conversão automática dos euros depositados em dracmas trariam perdas significativas para os aforradores.

E os receios não são disparatados. Ainda ontem, as posições tinham-se extremado: Varoufakis dizia  "não acreditar num acordo" e o primeiro-ministro grego estava até disposto a dizer " o grande não" aos credores, se a política de austeridade não fosse alterada. 

Mas com um novo dia chegaram posições mais serenas por parte dos gregos, apesar do ceticismo do presidente do Eurogrupo. Dijsselbloem recusou "especular" sobre o que acontecerá se a Grécia não pagar ao FMI até 30 de junho, mas a chefe do fundo já veio dizer que "não há adiamentos". 

Christine Lagarde, à entrada para a reunião desta quinta-feira, e horas depois destas declarações (vídeo), a presidente do FMI admitiu que "se houver propostas credíveis em cima da mesa, elas serão examinadas" porque o fundo - garante - "é flexível".

A menos de duas semanas de expirar o programa de assistência financeira a Atenas e da data limite para a Grécia pagar 1,6 mil milhões de euros ao FMI - ambas a 30 de junho -, os ministros das Finanças da zona euro encontram-se esta quinta-feira no Luxemburgo, mas sem qualquer esboço de compromisso sobre a mesa e com as negociações ao nível técnico suspensas face às diferenças entre o Governo grego e os seus credores.

As reformas que mais afastam Atenas e credores têm que ver com cortes nas pensões, sobretudo nos complementos das reformas mais baixas, e subidas no IVA (imposto sobre o consumo, especialmente nos medicamentos e eletricidade). No excedente orçamental primário (diferença entre as receitas e despesas das contas públicas, excluindo os juros) há um entendimento no valor a alcançar, mas é preciso concordar nas medidas para lá chegar.