O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, telefonou, esta noite, a Mário Draghi, presidente do BCE, e afirmou que a Grécia necessita imediatamente de um levantamento das restrições de capitais, ou seja, que a atividade bancária na Grécia precisa de ser restabelecida.
 
Segundo uma fonte do Governo grego  que não quis ser identificada, citada pela Reuters, Tsipras discutiu também com Draghi, a liquidez dos bancos gregos. Fontes governamentais citadas pela agência espanhola Efe precisaram que Tsipras abordou com o presidente do BCE “questões relativas à liquidez dos bancos”, como o aumento dos créditos de emergência que a instituição monetária europeia pode prestar à banca helénica através do mecanismo de assistência de liquidez.
 
Os bancos gregos estão fechados há uma semana com uma restrição de capitais: os gregos apenas podem levantar 60 euros por dia. O objetivo da restrição foi impedir uma corrida aos bancos e o colapso do sistema financeiro, depois do primeiro-ministro grego ter convocado um referendo, na sequência da falta de acordo entre Grécia e Europa.
 
O “Não” ganhou o referendo na Grécia, mas os bancos permaneceram fechados esta segunda-feira. A Associação Grega de Bancos esclareceu, esta tarde, que os bancos gregos vão permanecer fechados até quarta-feira, depois de  um decreto publicado há uma semana dizer que os bancos da Grécia iriam permanecer encerrados apenas até 6 de julho, o dia seguinte ao referendo. 

Pouco depois, e já depois de Merkel e Hollande terem declarado numa conferência de imprensa conjunta que as negociações com a Grécia continuam abertas, o Banco Central Europeu revelou que vai manter a linha de liquidez, no valor de 89 mil milhões de euros, à banca grega, mas desta vez o BCE exige mais garantias. 

"O Conselho de Governadores do BCE decidiu manter a provisão da linha de emergência de liquidez ('ELA', na sigla em inglês) para os bancos gregos no nível decidido a 26 de julho, depois de discutir uma proposta do Banco da Grécia", lê-se num comunicado publicado hoje pela instituição liderada por Mario Draghi.


Segundo o comunicado, o BCE decidiu ajustar os "haircuts" dos colaterais aceites pelo Banco da Grécia, isto é, o Banco Central aumentou as exigências nos colaterais dos empréstimos concedidos. 

“A situação financeira da República Helénica tem um impacto nos bancos gregos, já que os colaterais que eles usam na ELA depende de forma significativa a ativos ligados ao Estado. Neste contexto, o Conselho de Governadores decidiu ajustar os “haircuts” nos colaterais aceites pelo Banco da Grécia para a ELA”.